O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante, afirmou que os estudos geológicos realizados na Margem Equatorial indicam potencial de reservas semelhante ao observado no pré-sal brasileiro. Segundo ele, no entanto, a confirmação efetiva das reservas dependerá da continuidade das perfurações exploratórias na região.
“Só é possível comprovar uma reserva quando a broca bate no óleo”, declarou Mercadante em entrevista ao programa Canal Livre, da Band. “Faz todo sentido prospectar, descobrir se temos, quanto temos e depois ver qual é o melhor mecanismo de produção”, acrescentou.

A Margem Equatorial se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e vem sendo considerada uma das principais apostas da indústria petrolífera brasileira para ampliar a produção nas próximas décadas. A região concentra interesse crescente após descobertas recentes em áreas próximas e em países vizinhos da América do Sul.
Ao comentar os prazos para eventual exploração comercial, Mercadante afirmou que ainda não há previsão definida, uma vez que os estudos seguem em andamento e envolvem custos elevados.
“Cada furo desse são alguns milhões de dólares, então é um processo complexo”, disse.
Segundo o presidente do BNDES, a resistência política e ambiental ao projeto perdeu força após a autorização federal para o avanço das pesquisas exploratórias. Na avaliação dele, o debate atual repete discussões ocorridas durante o desenvolvimento do pré-sal brasileiro.
“Resistência política pode até haver, mas acho que esse debate foi superado”, afirmou.
Mercadante comparou o cenário atual às críticas enfrentadas pelo pré-sal nos anos anteriores, quando setores internacionais apontavam riscos ambientais e possíveis impactos sobre o turismo no litoral do Rio de Janeiro.
De acordo com ele, os receios apresentados à época não se confirmaram ao longo do desenvolvimento da produção petrolífera em águas profundas.
O executivo também destacou a participação do BNDES em projetos de pesquisa ligados ao planejamento espacial marinho. Segundo Mercadante, o banco financia, em parceria com a Marinha do Brasil, estudos voltados ao mapeamento da plataforma continental brasileira.
Ainda segundo o presidente do banco, os levantamentos técnicos realizados até o momento não identificaram os riscos ambientais anteriormente apontados por críticos da exploração na região, incluindo impactos sobre áreas de corais.
“Temos que combater o negacionismo em todas as áreas, e é com argumento científico que você consegue rebater”, afirmou.
Mercadante acrescentou que a tecnologia utilizada atualmente pela indústria de petróleo possui sistemas de prevenção e contenção mais avançados do que em décadas anteriores.
“Nunca houve um acidente da Petrobras com prospecção de petróleo”, declarou.
O presidente do BNDES também citou descobertas recentes de gás natural em áreas próximas à Margem Equatorial, incluindo operações em Sergipe e Rio Grande do Norte, além da expansão da produção em países vizinhos, como Guiana e Colômbia.
“Então, a chance de ter na Margem Equatorial é muito grande”, concluiu Mercadante.