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Política

Allyson Bezerra acusa rivais de falta de propostas

Pré-candidato diz que adversários priorizam ataques pessoais e evita entrar na polarização entre Álvaro Dias e Cadu Xavier
Por O Correio de Hoje
18/05/2026 | 14:05

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que seus adversários na disputa eleitoral têm evitado discutir soluções concretas para o Estado e concentrado a pré-campanha em ataques pessoais. Em entrevista à 94 FM nesta segunda-feira 18, o ex-prefeito de Mossoró disse que os rivais falam mais dele do que dos problemas do RN e tentou se apresentar como candidato de gestão em meio à tentativa de polarização entre Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT).

“A gente percebe que os demais candidatos só falam de três coisas. Primeiro, eles só falam de segundo turno. Segundo, falam daqueles possíveis apoios que podem ter a nível nacional. E terceiro, eles só falam de mim”, disse Allyson Bezerra. “Eles não apresentam uma proposta. Eu desafio alguém aqui mesmo na bancada a dizer uma proposta.”

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Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra em entrevista à rádio Cidade hoje - Foto: Assessoria

Para sustentar a crítica de que adversários não apresentam propostas, Allyson Bezerra listou medidas que pretende adotar se eleito. Uma delas é um mutirão para destravar licenciamentos no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, com apoio de técnicos das universidades, do governo e da iniciativa privada. Em entrevista ao Grupo Agora RN, no início de abril, ele afirmou que a meta seria zerar a fila de processos represados envolvendo obras, indústrias, energia, mineração, infraestrutura hídrica e linhas de transmissão.

Outra proposta é o governo itinerante, com presença nas regiões para ouvir demandas e aproximar a estrutura estadual dos municípios. Allyson Bezerra também tem defendido uma gestão municipalista, com diálogo permanente com prefeitos, além da criação de uma Secretaria de Programas e Projetos para organizar captação e execução de investimentos.

Na educação, ele citou iniciativas de Mossoró, como o Programa de Apoio ao Estudante (PAE), e o envio de alunos da rede municipal para intercâmbio em Londres dentro do programa “De Mossoró para o Mundo”. A iniciativa levou estudantes para experiência educacional e cultural na Inglaterra.

Allyson Bezerra afirmou ainda que saúde, educação e segurança não devem ser tratadas como pautas ideológicas. Disse que, em Mossoró, armou a Guarda Municipal, entregou fardamento e colocou viaturas adequadas para atuação nas ruas. Ao final, reforçou que pretende assumir os problemas do Estado sem culpar gestões anteriores. “O meu estilo não é de culpar o retrovisor, é de resolver os problemas”, afirmou.

A declaração ocorre em uma fase de endurecimento da pré-campanha. Álvaro Dias tem buscado se firmar como nome da direita, com apoio do senador Rogério Marinho (PL), enquanto Cadu Xavier tenta se consolidar como representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da governadora Fátima Bezerra (PT). Allyson Bezerra, que lidera levantamento feito em abril pelo instituto Exatus, veiculado por este O CORREIO DE HOJE, tenta se colocar fora do embate nacionalizado e reforçar a comparação entre sua gestão em Mossoró e a experiência dos adversários.

Polêmicas de adversários

O ex-prefeito aproveitou para reagir a uma fala recente de Rogério Marinho. Em entrevista à rádio 96 FM no dia 11, o senador ironizou o estilo de Allyson Bezerra, ao fazer referência a candidato que “dá uns saltinhos”, “faz uma coisa diferente” e usa um “chapeuzinho esquisito”. A declaração provocou reação por atingir um símbolo associado ao sertão nordestino.

Allyson Bezerra disse que não critica o modo de vestir ou de se portar dos concorrentes e classificou a fala como preconceituosa. “Na tentativa de me atingir, ele está atingindo a população nordestina como um todo”, afirmou. “Isso aqui é um símbolo do Nordeste brasileiro e principalmente do interior do Nordeste brasileiro.”

Allyson Bezerra também subiu o tom contra Rogério Marinho. Disse que não teria vergonha de usar chapéu, mas “teria vergonha” de defender retirada de direitos trabalhistas. “Ele é conhecido por ser inimigo do trabalhador”, afirmou, acrescentando que o senador não teve coragem de enfrentá-lo diretamente nas urnas.

Outro ponto usado por Allyson Bezerra para se diferenciar foi a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. A universidade entrou no centro da pré-campanha depois que Álvaro Dias, em passagem por Mossoró, deixou em aberto a possibilidade de sua equipe estudar alternativas como federalização ou privatização da instituição, o que gerou reação de adversários e de entidades ligadas à universidade. Após o desgaste, o ex-prefeito de Natal afirmou que sua fala foi distorcida e negou intenção de federalizar ou privatizar a Uern.

Allyson Bezerra explorou a controvérsia. Disse que Álvaro Dias trata a Uern como “fardo” e “peso”, enquanto ele vê a universidade como patrimônio do Estado. “É a Universidade do Estado, tem mais de 57 anos de história, está presente em todo o Rio Grande do Norte, inclusive aqui na capital, é a universidade da Zona Norte”, afirmou.

Gestão

O pré-candidato também citou a engorda de Praia de Ponta Negra para comparar modelos de gestão. A obra voltou ao debate após a formação de alagamentos na faixa de areia, os chamados espelhos d’água, e uma ação civil pública do Ministério Público Federal cobrando obras emergenciais e reestruturação do sistema de drenagem, sob alegação de riscos à saúde, prejuízos ao turismo e danos ambientais. A Prefeitura do Natal rebateu as críticas e anunciou uma intervenção complementar de drenagem, orçada em R$ 21 milhões.

Allyson Bezerra disse defender a ampliação da faixa de areia, mas com “obra com qualidade”, “responsabilidade”, “boa engenharia” e “boa execução”. Em seguida, comparou a situação de Natal à sua gestão em Mossoró. “A diferença é que eu consegui entregar um hospital municipal. Entreguei um hospital na quinta-feira à noite, na sexta-feira pela manhã o hospital já estava funcionando”, afirmou.

A entrevista também abordou um ponto sensível para o próprio Allyson Bezerra. O Ministério Público do Rio Grande do Norte instaurou procedimento e fez recomendação à Prefeitura de Mossoró e à Secretaria Municipal de Saúde diante de problemas no Ambulatório Materno Infantil (AMI), com apontamentos sobre risco de interrupção de serviços, filas e necessidade de medidas urgentes. Reportagens sobre o caso registraram expressões como “desassistência sistêmica” e “iminência de colapso” na unidade.

Allyson Bezerra negou que haja desassistência e disse que o problema é fila. Afirmou que, quando prefeito, realizou concurso na saúde depois de mais de uma década sem seleção, chamou 905 aprovados e destinou mais de 500 servidores à área. Também disse ter implantado psiquiatria infantil e neuropediatria para crianças autistas na rede municipal. “Todas as recomendações são válidas”, declarou. “Todo problema que eu tive na gestão de Mossoró, eu fui enfrentar.”