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Política

Fundo ligado a aliado de Eduardo Bolsonaro comprou casa no Texas e levanta suspeitas sobre uso de recursos de filme

PF investiga possível destino de dinheiro ligado a produção cinematográfica; advogado nega relação do imóvel com deputado ou com o Banco Master
Redação
16/05/2026 | 11:15

Um fundo privado ligado ao advogado Paulo Calixto, que atua na defesa de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, adquiriu uma casa no estado do Texas, onde o ex-deputado vive atualmente.

O imóvel foi comprado em fevereiro pelo Mercury Legacy Trust, estrutura de gestão patrimonial que adquiriu a residência por cerca de R$ 3,6 milhões. Esse tipo de fundo é comum nos Estados Unidos para administração de bens em nome de terceiros.

Eduardo Bolsonaro foto Zeca Ribeiro Câmara
Casa no Texas adquirida por fundo ligado a advogado de Eduardo Bolsonaro é citada em investigação que apura destino de recursos ligados a produção cinematográfica Foto: Zeca Ribeiro Câmara

Calixto também administra o Havengate Development Fund, que teria recebido parte dos recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em 2025, valores inicialmente destinados a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a investigação da Polícia Federal, há suspeita de que parte desses recursos tenha sido redirecionada para sustentar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A PF também apura se a estrutura financeira no Texas teria sido usada para contornar bloqueios judiciais determinados pelo STF.

Além de Calixto, o nome de André Porciuncula aparece em documentos ligados à aquisição do imóvel. Ele é apontado por aliados como um dos responsáveis operacionais ligados ao entorno de Eduardo Bolsonaro no país.

Porciuncula afirmou que a casa adquirida pelo fundo não tem relação com o deputado nem com o Banco Master, mas não detalhou quem seria o beneficiário final do imóvel.

O advogado Paulo Calixto e Eduardo Bolsonaro não comentaram oficialmente os questionamentos. Em manifestações anteriores, o deputado negou ter recebido recursos irregulares e afirmou que sua atuação nos Estados Unidos segue dentro da legalidade, dizendo que as suspeitas são infundadas.

As transferências feitas por Vorcaro ao fundo investigado teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, dentro de um contrato ligado à produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. O caso ganhou novos desdobramentos após questionamentos sobre a destinação final dos valores.

A investigação segue em andamento e busca rastrear o fluxo financeiro entre empresas, fundos e pessoas ligadas ao entorno político do ex-presidente.