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Investimento

Plano prevê R$ 1,2 bilhão para Ribeira

Informação foi destacada pelo vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade)
Redação
16/05/2026 | 05:04

A Prefeitura do Natal deve avançar nos estudos para instalação de um centro administrativo municipal na Ribeira, dentro de um plano de reocupação do Centro Histórico que pode envolver investimento estimado em R$ 1,2 bilhão. A informação foi destacada pelo vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade), em entrevista ao programa Meio-dia na Mix, ao defender que a recuperação da Ribeira e da Cidade Alta precisa ser tratada como prioridade econômica, turística e urbana para Natal.

Segundo Fúlvio, o prazo do edital aberto para empresas interessadas em realizar o estudo de viabilidade se encerrava nesta sexta-feira 15. O levantamento deverá indicar as condições para implantação do centro administrativo e também apontar potenciais de ocupação, empregabilidade e novos usos para a região. “Hoje encerra o prazo do edital, que foi lançado em 30 dias, para que as empresas interessadas possam fazer um grande estudo de viabilidade e de instalação do centro administrativo municipal”, afirmou.

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Prédios localizados em uma das principais vias da Ribeira - Foto: José Aldenir

O vereador disse que o projeto não se limita à transferência de órgãos públicos. A ideia, segundo ele, é pensar a Ribeira e a Cidade Alta de forma mais ampla, com presença administrativa, serviços, cultura, moradia e atividades econômicas capazes de devolver circulação de pessoas aos bairros. “É um investimento previsto de R$ 1,2 bilhão. Então, não tem como se dizer que isso não vai repercutir fortemente”, declarou.

Fúlvio afirmou que iniciou o mandato com foco no fortalecimento do turismo municipal, área que considera “a maior indústria” de Natal e do Rio Grande do Norte, pela capacidade de gerar emprego, renda e oportunidade. A partir dessa pauta, disse ter se aproximado do debate sobre turismo histórico e da necessidade de recuperar áreas antigas da capital.

Na avaliação de Fúlvio, a Ribeira e a Cidade Alta sofreram abandono ao longo das últimas décadas, processo que também atingiu centros comerciais antigos de outras cidades. Para ele, a diferença está na capacidade do poder público de liderar a reocupação. “O poder público precisa guiar o futuro da nossa cidade e esse resgate tem que acontecer”, afirmou.

O vereador citou como sinais iniciais de retomada a instalação da Secretaria de Turismo, da Vice-Prefeitura e a articulação da Prefeitura para levar mais estruturas administrativas à Ribeira. Na avaliação dele, a presença de servidores, usuários e visitantes pode estimular novos restaurantes, lanchonetes, serviços e comércio, além de melhorar a segurança. “Quanto mais gente, mais segurança”, resumiu.

Fúlvio ponderou, porém, que a recuperação não será imediata. “Jamais isso será realizado de um dia para a noite. Quarenta anos de declínio não pode ser revertido em uma gestão”, disse. O vereador afirmou que a revitalização da Ribeira virou uma “missão de vida” e que continuará defendendo a pauta com ou sem mandato.

Além do centro administrativo, ele citou ações pontuais em articulação. Uma delas é a tentativa de fazer o Sesi adotar a Travessa Pax, rua de pedra que liga a São Tomé à Câmara Cascudo, em frente à Funcarte. A ideia é organizar o espaço, hoje com pedras soltas, e transformá-lo em área cultural, com circulação de pedestres e sem tráfego de veículos.

Fúlvio também defendeu a reabertura do Museu da Cultura Popular, instalado na antiga rodoviária. Segundo o vereador, a parte superior está pronta, mas ainda falta infraestrutura para permitir o funcionamento.

Na parte inferior do prédio, vinculada à Semsur, a proposta é reorganizar os quiosques. Fúlvio disse que hoje existem 11 unidades e que a ideia em discussão é reduzir para quatro, com estrutura capaz de abrigar restaurante ou atividade semelhante, fortalecendo a ocupação permanente do entorno.

A relação com o Iphan também foi tratada na entrevista. O vereador reconheceu que o órgão foi visto por muitos anos como entrave ao desenvolvimento da Ribeira, mas disse perceber maior abertura atualmente. Ainda assim, defendeu que preservar não pode significar impedir a ocupação dos imóveis históricos.

Para Fúlvio, a Ribeira só voltará a ter vida se reunir planejamento, investimento, presença do poder público e atividades permanentes. Ele elogiou o prefeito Paulinho Freire e citou o grupo de trabalho da Ribeira, coordenado pela vice-prefeita Joanna Guerra, no qual representa a Câmara Municipal. O objetivo, segundo ele, é subsidiar o estudo com informações sobre salas, vagas de estacionamento, servidores e necessidades das secretarias.