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Política

Presidente do Novo no RN diz que caso Master abala direita

Renato Cunha Lima afirma que episódio envolvendo Flávio Bolsonaro gera desgaste político na direita
Redação
16/05/2026 | 05:58

O presidente estadual do Novo no Rio Grande do Norte, Renato Cunha Lima, avaliou que o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, abriu uma crise política relevante dentro da direita brasileira e impôs desgaste à imagem do principal nome do bolsonarismo na disputa presidencial de 2026. Em entrevista ao programa Meio-dia na Mix, Renato afirmou que, independentemente dos desdobramentos jurídicos, há um problema moral e político já colocado para o campo conservador.

“Vamos separar as coisas jurídicas”, disse Renato, ao comentar a situação de Flávio. “A imagem política, ele negou de manhã e teve que confirmar à noite. E só esse fato, independentemente se era legal, se era ilegal, isso aqui é outra coisa, é outro departamento, só esse fato lhe trará um prejuízo eleitoral muito grande numa disputa acirradíssima”, afirmou o dirigente do Novo.

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Renato Cunha Lima avalia que caso Master provocou desgaste na direita - Foto: Reprodução

A fala ocorre em meio à repercussão nacional das revelações sobre a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para tratar do financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso ganhou força depois que vieram à tona informações sobre pedido de recursos para o projeto, em meio à crise financeira e judicial que já cercava o Banco Master e seu ex-controlador.

Para Renato, o episódio não atinge apenas um personagem, mas contamina o ambiente político da direita e expõe contradições que podem pesar numa eleição polarizada. Ele afirmou que sempre pautou sua atuação pública por questões éticas e morais e que ser de direita, em sua visão, significa defender “o bom trato da coisa pública”, o respeito ao dinheiro público, às leis e à ordem.

O dirigente do Novo disse que a crise do Master tem uma característica diferente de outros escândalos recentes: não estaria restrita a um único campo ideológico. Renato classificou o caso como uma crise “ecumênica”, por atingir setores diversos da política nacional, incluindo governo Lula, bolsonarismo, Centrão, direita e esquerda.

“Essa crise é do governo Bolsonaro, essa crise é do governo Lula, essa crise é do Centrão? Não. Nesse caso aqui é uma crise ecumênica. É do Brasil”, afirmou. Ele também criticou o fato de diferentes grupos políticos adotarem postura seletiva diante dos próprios erros. “A bolha passa pano para o seu para apontar para o do outro”, disse.

O Banco Master está no centro de uma crise que deixou de ser apenas financeira e passou a ter forte impacto político. A instituição entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central, enquanto a Operação Compliance Zero apura suspeitas relacionadas à gestão do banco e a operações financeiras consideradas irregulares. Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, tornou-se o personagem central desse enredo, que passou a alcançar diferentes setores da política nacional.

Na entrevista, Renato também comentou a reação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que criticou Flávio publicamente. O presidente estadual do Novo disse considerar que Zema talvez tenha sido precipitado ao não aguardar mais tempo para uma avaliação política mais cautelosa. Ainda assim, afirmou que o mineiro expressou o sentimento de parte relevante da sociedade.

“Ele externou o pensamento de muita gente, e a gente tem que respeitar também esse outro lado”, declarou. Renato disse que há uma linha difícil entre não “passar pano” e não fazer “fogo amigo” dentro do mesmo campo ideológico.

A fala de Zema provocou reação dura de aliados bolsonaristas, incluindo integrantes da família Bolsonaro e lideranças do PL. O episódio criou ruídos entre dois partidos que, em diferentes estados, discutem aproximações eleitorais para 2026. No Rio Grande do Norte, esse ponto é especialmente sensível porque o Novo trabalha para viabilizar o nome do empresário Flávio Rocha ao Senado e mantém diálogo com o campo político liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

Renato comparou a postura de Zema à do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que, segundo ele, foi mais ponderado. Para o dirigente potiguar, Caiado demonstrou maior cautela, fruto de mais experiência política.

No RN, o Novo tenta ocupar espaço próprio no tabuleiro de 2026, mas sem romper pontes com o PL, partido que reúne a principal estrutura bolsonarista no Estado. “É lógico que isso abalou, não falo nem do Rio Grande do Norte, a relação do PL com o Novo no Brasil”, afirmou Renato. Em seguida, ponderou que as conversas locais devem continuar e que as decisões serão amadurecidas até as convenções.

Renato defendeu ainda a abertura de uma CPI para investigar o caso Master. “A posição do Novo é ser totalmente a favor da abertura. Doa a quem doer. É para pegar se tiver gente do Novo, do PL, do PT, de quem quer que seja. Esse é um negócio que interessa ao país e não a um grupo político”, afirmou.