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Bem-estar

Dormir demais acelera envelhecimento

Estudo aponta que dormir pouco ou em excesso pode acelerar envelhecimento dos órgãos
Por O Correio de Hoje
15/05/2026 | 13:05

Dormir bem continua sendo uma das principais recomendações médicas para manter a saúde física e mental em equilíbrio. No entanto, novas pesquisas mostram que não apenas a privação de sono preocupa os especialistas. Dormir além do necessário também pode trazer consequências negativas ao organismo e acelerar processos ligados ao envelhecimento biológico.

Um estudo recente sobre relógios biológicos revelou que tanto períodos curtos quanto excessivos de sono estão associados ao envelhecimento acelerado de órgãos importantes do corpo humano, incluindo cérebro, coração, pulmões e sistema imunológico. Os resultados reforçam a ideia de que o equilíbrio do sono exerce papel decisivo na manutenção da saúde ao longo da vida.

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Pesquisa associou desequilíbrio no sono ao envelhecimento biológico acelerado de sistemas como cérebro, coração e pulmões Foto: FreePik

A pesquisa utilizou dados de centenas de milhares de participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações médicas do mundo, sediado no Reino Unido. Os cientistas cruzaram informações genéticas, metabólicas e biológicas para entender de que forma a duração do sono interfere no ritmo de envelhecimento dos órgãos. Os chamados relógios biológicos vêm ganhando destaque na medicina moderna por permitirem estimar o envelhecimento do corpo além da idade cronológica. Embora duas pessoas tenham a mesma idade no documento, seus órgãos podem apresentar ritmos completamente diferentes de desgaste biológico.

Segundo os pesquisadores, estudos anteriores já haviam demonstrado forte relação entre qualidade do sono e envelhecimento cerebral. Agora, a nova análise amplia essa compreensão ao indicar que praticamente todos os sistemas do organismo podem sofrer impacto tanto pela falta quanto pelo excesso de descanso.

“Estudos anteriores já haviam demonstrado que o sono está fortemente ligado ao envelhecimento e à carga patológica do cérebro. Nosso estudo vai além e mostra que tanto a falta quanto o excesso de sono estão associados ao envelhecimento acelerado em praticamente todos os órgãos, corroborando a ideia de que o sono é fundamental para a manutenção da saúde orgânica”, afirmou o pesquisador Junhao Wen, professor assistente de Radiologia da Columbia University Vagelos College of Physicians and Surgeons. Os cientistas desenvolveram modelos específicos para avaliar o envelhecimento de diferentes órgãos do corpo. Para isso, utilizaram inteligência artificial e aprendizado de máquina capazes de interpretar grandes volumes de dados biológicos e metabólicos.

No fígado, por exemplo, os pesquisadores identificaram padrões ligados ao envelhecimento com base em proteínas presentes no organismo. Em seguida, compararam essas informações com hábitos de sono relatados pelos participantes do estudo.

A análise mostrou um padrão consistente: pessoas que dormiam menos de seis horas por noite apresentavam envelhecimento biológico mais acelerado. O mesmo comportamento foi observado entre aqueles que dormiam mais de oito horas diariamente.

Os resultados, publicados na revista científica Nature, indicaram que o menor ritmo de envelhecimento apareceu entre indivíduos que relataram dormir entre 6,4 e 7,8 horas por noite. A faixa foi considerada a mais adequada para preservar o funcionamento saudável dos órgãos analisados.

Os pesquisadores destacam, porém, que a duração do sono isoladamente não explica todo o processo. Segundo os cientistas, tanto dormir pouco quanto dormir demais podem funcionar como sinais de problemas de saúde já existentes.

Entre os impactos mais observados estão alterações relacionadas ao cérebro e à saúde mental. A privação de sono, por exemplo, foi associada a episódios de depressão, ansiedade e outros transtornos psicológicos observados em pesquisas anteriores.

“O amplo padrão cérebro-corpo é importante porque nos mostra que a duração do sono é uma parte profundamente enraizada em toda a nossa fisiologia, com implicações de longo alcance em todo o corpo”, acrescentou Wen.

Dormir pouco já era conhecido como fator de risco para obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Agora, especialistas alertam que o excesso de sono também pode estar relacionado ao aumento desses riscos.

De acordo com especialistas do Instituto do Sono, dormir além da necessidade do organismo pode estar ligado à hipersonia, condição caracterizada pelo excesso de sonolência e pela dificuldade de recuperação energética mesmo após longos períodos dormindo. A quantidade ideal de sono varia conforme idade, rotina e características individuais. Recém-nascidos, por exemplo, podem precisar de até 20 horas de sono por dia. Já adolescentes costumam necessitar entre sete e nove horas diárias, enquanto adultos geralmente devem dormir entre seis e oito horas.