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Política

PT mira Flávio; PL cobra CPI do Master

Deputados do PT usam caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para atacar o bolsonarismo, enquanto José Dias reage, defende o senador e propõe apoio a CPI do Banco Master
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 16:27

O caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, saiu do noticiário nacional e entrou no plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte como novo combustível da polarização entre PT e PL. Na sessão ordinária desta quinta-feira 14, deputados petistas usaram a tribuna para atacar o bolsonarismo, enquanto o deputado José Dias reagiu em defesa de Flávio e cobrou a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

O embate foi aberto pela deputada Isolda Dantas, que classificou o episódio como prova da ligação entre o bolsonarismo e o escândalo envolvendo o Banco Master. Ela se referiu à reportagem que revelou áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro em negociação com Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o valor negociado chegaria a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, e parte dos recursos já teria sido repassada.

isolda josé dias
Deputados do PT e do PL trocaram críticas na Assembleia Legislativa do RN após repercussão do caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master Fotos: Eduardo Maia / ALRN

Na tribuna, Isolda Dantas disse que o caso desmonta a tentativa de setores da direita de associar o Banco Master ao PT. A deputada afirmou que Flávio teria pedido dinheiro ao “grande operador” do banco e criticou a postura de bolsonaristas que, segundo ela, atacam a Lei Rouanet, mas agora se veem diante de uma negociação milionária para financiar um filme sobre o ex-presidente. “Hoje eu quero ver aqui os bolsonaristas dessa casa se pronunciarem sobre o que aconteceu”, disse.

A parlamentar também questionou o destino de valores que, segundo ela, teriam sido destinados ao projeto, mas não chegaram à produtora. Isolda afirmou que a situação revela a “real trama” do bolsonarismo e acusou a família Bolsonaro de se envolver em grandes escândalos nacionais. O tom foi de ataque direto ao PL e à extrema direita, com o caso nacional usado como instrumento de disputa política dentro da Assembleia.

O deputado Francisco do PT, líder do Governo na Casa, aparteou Isolda e reforçou a crítica. Ele afirmou que a extrema direita tentou, durante muito tempo, “colar no PT e no governo Lula” o escândalo do Banco Master. Segundo Francisco, a revelação envolvendo Flávio Bolsonaro muda o eixo do debate e exige investigação sobre o destino do dinheiro citado na negociação.

Francisco também fez a conexão entre o caso e a pauta cultural. Disse querer ver a posição daqueles que atacam a Lei Rouanet e as políticas públicas de incentivo à cultura. Para o deputado, há diferença entre financiamento cultural feito com regras públicas e transparentes e uma negociação privada envolvendo o dono de um banco investigado.

A deputada Divaneide Basílio levou o mesmo tema ao horário das proposições. Ela apresentou moção de repúdio ao episódio e disse que o bolsonarismo transformou a “falsa moral” em marketing. Divaneide contrapôs o caso à “cultura de verdade”, citando ações de valorização de artistas potiguares, projetos ligados a bibliotecas, literatura e patrimônio cultural. Para ela, recursos milionários deveriam fortalecer artistas e produtores culturais, não alimentar um “filme de horror” político.

O contraponto veio de José Dias. O deputado acusou o PT de usar o episódio para jogar sobre a direita as próprias culpas. Comparou a reação petista à fábula do lobo e do cordeiro e afirmou que o caso está sendo explorado como se fosse “o crime pior do que o de Judas”. Para ele, Flávio Bolsonaro já apresentou explicações e terá condições de se defender.

José Dias disse ser pessoalmente contra dinheiro para filmes que exaltem presidentes, seja quem for. Apesar disso, afirmou não enxergar crime no financiamento privado de uma produção cinematográfica. O deputado sustentou ainda que Flávio Bolsonaro não ocupava cargo no Executivo nem tinha poder para oferecer favores públicos quando conversou com Vorcaro.

A principal reação de José Dias foi política. Ele anunciou que apresentará requerimento para a Assembleia votar apoio à criação de uma CPI do Banco Master. O deputado desafiou o PT a assinar a investigação, já que, segundo ele, os petistas agora atribuem à direita a responsabilidade pelo caso. “Vamos esclarecer isso com uma CPI”, afirmou.

O Banco Master está no centro de uma crise financeira e política desde 2025. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master de Investimento em novembro, em meio a investigações sobre fraudes e problemas no grupo. A repercussão do caso envolvendo Flávio e Vorcaro também atingiu o mercado financeiro: a Reuters registrou queda de 1,8% do Ibovespa e recuo de mais de 2% do real após a divulgação da reportagem.

Flávio Bolsonaro negou irregularidades. Segundo registros da imprensa internacional, ele afirma que o pedido tratava de patrocínio privado para um filme privado, sem dinheiro público, sem contrapartida e sem recebimento pessoal de valores.