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Política

Mensagens com Vorcaro atingem Flávio

Conversas revelam que senador cobrou repasses para filme sobre Jair Bolsonaro financiado pelo dono do Banco Master
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 16:03

A divulgação de áudios e mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro acrescentou um novo elemento de desgaste à pré-candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. O material, tornado público na quarta-feira 13 pelo The Intercept Brasil, mostra o parlamentar cobrando o envio de recursos para custear o filme biográfico sobre o pai, previsto para estrear no segundo semestre deste ano.

Nas conversas, Flávio demonstra preocupação com atrasos no financiamento da produção, intitulada “Dark Horse”, que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018.

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Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e Senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente Fotos: youtube / reprodução - Instagram / Reprodução

Segundo a reportagem, foi negociado um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Desse montante, R$ 61 milhões foram efetivamente pagos por Vorcaro, atualmente preso e em negociação de acordo de delação premiada que pode atingir autoridades dos três Poderes.

Em uma mensagem enviada em 8 de setembro de 2025, o senador relata dificuldades financeiras enfrentadas pela equipe responsável pelo longa.

“Tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso, e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, escreveu.

Dois meses depois, em nova conversa, Flávio reforça a cobrança ao banqueiro.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”, afirmou.

Outro áudio revela a preocupação do senador com a possibilidade de inadimplência com integrantes internacionais da produção, entre eles o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, e o diretor Cyrus Nowrasteh.

“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus. Os caras renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, diz Flávio na gravação.

Vorcaro respondeu que resolveria a pendência até o dia seguinte. Na mesma data, os dois ainda conversaram por telefone durante dois minutos, segundo registros extraídos do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025.

Na manhã da quarta-feira 13, antes da publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro afirmou ao Intercept que os diálogos eram “uma mentira”. Mais tarde, após a divulgação do conteúdo, reconheceu a existência das conversas, mas sustentou que se tratava de uma negociação entre agentes privados e que não houve “favores em troca”.

O caso ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master e à investigação sobre a atuação de Daniel Vorcaro para obter proteção política e minimizar os efeitos das fraudes atribuídas à instituição financeira. O banqueiro negocia colaboração premiada, e a expectativa é de que suas declarações atinjam nomes de diferentes correntes políticas.

As revelações ampliam o desgaste no campo bolsonarista, já pressionado pela operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Ciro Nogueira.

O roteiro do filme foi escrito pelo deputado federal Mário Frias, ex-secretário especial da Cultura, e o longa conta com o ator Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro.

Após uma reunião de emergência com aliados em Brasília, Flávio divulgou vídeo à imprensa no qual confirmou que Daniel Vorcaro tinha contrato para financiar o projeto, mas afirmou que a produção precisou buscar outros investidores após a interrupção dos repasses.

Segundo a colunista Malu Gaspar, de O Globo, o publicitário Thiago Miranda confirmou ter intermediado a negociação. Ele relatou que o valor inicialmente previsto seria superior ao efetivamente desembolsado e afirmou que a participação do banqueiro no projeto não seria divulgada publicamente.