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Explicação

Rivais cobram explicações de Flávio sobre Vorcaro

Financiamento de filme sobre Bolsonaro amplia crise política na direita e pressiona pré-candidatura de Flávio
Por O Correio de Hoje
14/05/2026 | 15:53

A divulgação de mensagens e áudios em que o senador Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro provocou reações imediatas entre nomes cotados para a disputa presidencial de 2026 no campo da direita e da centro-direita.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e Renan Santos, do partido Missão, vieram a público na quarta-feira 13 para cobrar explicações do senador.

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Ex-governador de Minas Romeu Zema, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e Renan Santos, do MLB Fotos: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil - Lula Marques / Agência Brasil - YouTube / Reprodução

Em nota divulgada após a publicação da reportagem do Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro confirmou que procurou Vorcaro em busca de patrocínio privado para o filme “Dark Horse” e reiterou a defesa da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master.

Romeu Zema foi o primeiro a se manifestar. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que a conduta do senador compromete o discurso de oposição ao governo federal.

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, declarou.

Segundo aliados do ex-governador mineiro, o episódio inviabilizou de vez a possibilidade de Zema integrar uma eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro na condição de vice.

Ronaldo Caiado adotou um tom mais institucional, mas também cobrou esclarecimentos. Em nota, o ex-governador goiano afirmou que casos envolvendo o Banco Master e valores expressivos exigem transparência absoluta.

“O senador Flávio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”, afirmou.

Renan Santos foi o mais incisivo nas críticas. O pré-candidato do partido Missão associou Flávio Bolsonaro a escândalos de corrupção e defendeu abertamente a prisão do senador.

“Onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro. E agora isso está mais do que claro. Não dá para ele negar”, afirmou.

Na sequência, acrescentou: “Flávio Bolsonaro só tem um lugar para ir: a cadeia”.

O partido Missão anunciou que pretende adotar duas medidas contra o senador. A primeira é uma representação ao Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do mandato. A segunda será encaminhada ao Ministério Público Eleitoral para apurar eventual uso de recursos de origem ilícita na produção do filme sobre Jair Bolsonaro, cuja estreia está prevista para o período eleitoral.

As reações evidenciam o impacto político do episódio dentro do próprio campo conservador, ampliando o desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e abrindo novas frentes de questionamento sobre sua relação com Daniel Vorcaro, atualmente preso e em negociação de acordo de delação premiada.