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Eleições 2026

Aliados de Bolsonaro contestam escolha de filhos para eleição

Escolha articulada por Eduardo e Flávio Bolsonaro sem aval público do ex-presidente gera críticas internas e expõe divisões entre aliados da direita em São Paulo
Por O Correio de Hoje
13/05/2026 | 13:57

A decisão do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro de apoiar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, para disputar uma vaga ao Senado em São Paulo provocou desconforto entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trata-se da primeira articulação política relevante conduzida pelos dois filhos do ex-presidente sem um aval público de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e está impedido de receber visitas políticas.

apoio
André do Prado, Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Guilherme Derrite Foto: Instagram / Reprodução

Nos bastidores, integrantes do bolsonarismo questionam a escolha de André do Prado sob o argumento de que o deputado estadual não pertence ao núcleo ideológico do grupo e mantém vínculos mais próximos ao centrão. Um aliado ouvido reservadamente afirmou que não existe uma justificativa clara para apresentar sua candidatura ao eleitorado conservador.

Segundo interlocutores, Bolsonaro já havia sinalizado que, caso Eduardo não pudesse disputar o Senado, seu preferido seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo. Ainda assim, Eduardo optou por André do Prado após apelos do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e do governador paulista Tarcísio de Freitas.

Antes de ser transferido para prisão domiciliar, Bolsonaro vinha sendo procurado com frequência por aliados em busca de respaldo para candidaturas estaduais e para a mediação de disputas internas. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que, em um intervalo de um mês, o STF recebeu 25 pedidos de visitas de políticos interessados em obter o aval do ex-presidente.

Divisões no campo bolsonarista

Durante evento sobre segurança pública promovido por Tarcísio nesta terça-feira 12, André do Prado afirmou ter sido escolhido “pelo Eduardo Bolsonaro, pelo Flávio Bolsonaro, pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo Partido Liberal”. “No dia a dia, essas pessoas [que criticam] vão me conhecer e vão saber por que o Eduardo me escolheu, o que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo”, disse o deputado, acrescentando que é uma pessoa “leal”.

“Jamais o Eduardo, juntamente com Flávio, faria um anúncio de apoio à minha candidatura se não tivesse o aval do presidente Bolsonaro. Estou muito tranquilo em relação a esse apoio”, completou André, embora tenha reconhecido que o nome preferido de Bolsonaro era Mello Araújo.

O vice-prefeito de São Paulo reagiu com ironia à escolha. “Se o Tarcísio gosta tanto do André do Prado, por que não o levou para ser vice, que seria o certo?”

Mello Araújo afirmou que não fez lobby pela candidatura e que não tem mantido contato com os filhos do ex-presidente. Ele relatou ainda que tentou visitar Bolsonaro no próximo dia 18, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes. Como não deixou a vice-prefeitura dentro do prazo legal, ele está impedido de disputar as eleições deste ano.

“O PL tem um papel importante [na eleição], deveria sim ser protagonista [em São Paulo], e ficou de fora. E aí o Tarcísio, para amenizar, começou a fazer campanha para André do Prado para ser senador”, afirmou.

Outro nome que deve entrar na disputa é o deputado federal Ricardo Salles, do Partido Novo. No fim de semana, Salles insinuou, em publicação no X, que a indicação de André do Prado teria sido resultado de um acordo financeiro. “Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer, é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão”, escreveu, referindo-se ao que chamou de “filhote do Valdemar”.

André rebateu as acusações. “O Salles tem que saber que eu fui escolhido do grupo bolsonarista.”

Eduardo Bolsonaro também reagiu em vídeo publicado no YouTube, intitulado “Aqui não, Salles”. “Ele [Salles] começou partindo para calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar as pessoas votarem no André do Prado.”

Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, aliados de Tarcísio atribuem o apoio a André do Prado a três fatores: a relação de confiança construída com o presidente da Alesp, os atritos recorrentes entre o governador e Ricardo Mello Araújo e a avaliação de que o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, teria poucas chances de vitória.

Em entrevista à Jovem Pan, Tarcísio afirmou que André do Prado seria o nome mais competitivo da direita para o Senado. “Ele é muito agregador. Vai ter os votos da direita, vai mobilizar os votos do centro.”