A Espanha iniciou neste domingo 10 a retirada dos passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus e ancorado próximo a Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação mobiliza autoridades sanitárias e governos de diferentes países para repatriar os ocupantes da embarcação. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, equipes de saúde embarcaram no cruzeiro para realizar uma inspeção final antes do início do desembarque dos passageiros.

Ao todo, 147 passageiros devem deixar o navio em uma operação coordenada internacionalmente. Os cidadãos espanhóis foram os primeiros a desembarcar, em pequenos grupos de cinco pessoas, transportados por embarcações menores até a costa.
Após chegarem ao porto, os passageiros foram levados em ônibus até o aeroporto local, onde embarcaram em um avião militar espanhol com destino a Madri. As autoridades informaram que os passageiros não terão contato com a população durante o deslocamento.
O MV Hondius havia partido da costa de Cabo Verde na quarta-feira 6 em direção à Espanha, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia solicitarem ao governo espanhol a coordenação da evacuação dos passageiros por causa do surto de hantavírus detectado a bordo.
A Agência Europeia de Saúde Pública informou no sábado 9 que todos os passageiros são considerados contatos de alto risco como medida preventiva. Apesar disso, o órgão afirmou que o risco para a população em geral permanece baixo.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, afirmou que diferentes países organizaram operações próprias para retirar seus cidadãos do navio.
“Os Países Baixos enviarão dois aviões: o de hoje e outro amanhã, que chamaremos de ‘avião de resgate’, para recolher quaisquer passageiros que não forem recolhidos pelos outros países. Mas, em princípio, ao longo de hoje e de amanhã (11), todos os passageiros de todas as nacionalidades desembarcarão e retornarão aos seus respectivos países”, disse.
Segundo o governo espanhol, Bélgica, França, Alemanha, Irlanda, Estados Unidos, Reino Unido e Holanda confirmaram o envio de aeronaves para retirar seus cidadãos do cruzeiro.
As autoridades das Ilhas Canárias informaram, no entanto, que nem todos os aviões haviam chegado até a manhã deste domingo. Por esse motivo, os passageiros permaneceriam no navio até a chegada dos voos de evacuação correspondentes.
Ainda conforme Mónica García, passageiros holandeses serão os próximos a deixar o navio. O voo destinado ao grupo também transportará cidadãos da Alemanha, Bélgica e Grécia.
Depois disso, passageiros da Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos deverão ser evacuados. Segundo a ministra, o último voo da operação partirá da Austrália.
“O último voo da operação está partindo da Austrália… É o voo mais complexo e está previsto para chegar amanhã à tarde”, afirmou García. Segundo ela, a aeronave será responsável por retirar seis passageiros da Austrália, Nova Zelândia e outros países asiáticos.
Navio passou por inspeções sanitárias
Um relatório divulgado pelo Ministério da Saúde da Espanha antes da chegada do MV Hondius a Tenerife informou que o navio havia sido aprovado em todas as inspeções sanitárias realizadas antes da atracação.
“De acordo com as informações fornecidas pelos especialistas que embarcaram no navio, as condições de higiene e ambientais são adequadas e não foram detectados roedores, portanto, a transmissão por exposição a roedores a bordo é improvável”, informou o relatório.
Tripulação permanecerá no navio
Segundo as autoridades espanholas, cerca de 30 tripulantes permanecerão a bordo da embarcação após a retirada dos passageiros.
O navio seguirá para a Holanda, onde passará por um processo de desinfecção.