O prefeito de Natal, Paulinho Freire, minimizou o fato de sete vereadores do seu grupo político terem declarado apoio à pré-candidatura do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado. Em entrevista nesta quinta-feira 7 ao programa Contraponto, da 96 FM, o prefeito reduziu o impacto das dissidências e, sem citar nome, afirmou acreditar que pelo menos um dos parlamentares deverá retornar ao seu campo político.
“Nós temos, dos 29 vereadores, sete vereadores com Allyson. Cinco vereadores estão no campo da esquerda, com a candidatura de Cadu Xavier (PT). E o resto dos vereadores, que são 17, estão na nossa campanha”, afirmou, no programa apresentado por Diógenes Dantas, colunista do jornal Agora RN.

Paulinho relatou que conversou pessoalmente com os parlamentares antes dos anúncios de apoio ao ex-prefeito mossoroense e evitou adotar um tom de confronto. “Todos que foram apoiar o candidato Allyson tiveram uma justificativa, conversaram antes”, disse.
O prefeito afirmou ainda que sua forma de atuação política não passa por imposições ou exigências de fidelidade absoluta. “Eu não faço política obrigando ninguém a nada. Eu mostro o meu lado, o que eu quero, tudo, mas eles… (têm autonomia)”, declarou.
Na entrevista, Paulinho chegou a citar motivações específicas apresentadas por alguns vereadores. Disse, por exemplo, que o vereador Pedro Henrique (PP) possui ligação política histórica com o grupo do deputado estadual Hermano Morais (MDB), hoje aliado de Allyson. Também mencionou a proximidade do vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade) com o ex-deputado estadual Kelps Lima (União) e afirmou que o vereador Robson Carvalho (União) tem razões pessoais para não apoiar Álvaro Dias. O vereador Tércio Tinoco (União), por sua vez, tem ligação com o deputado estadual Kleber Rodrigues (PP), um dos principais articuladores de Allyson.
Além desses quatro, os outros três vereadores da base de Paulinho que declararam apoio a Allyson foram Eribaldo Medeiros (Rede), Herberth Sena (PV) e Cláudio Custódio (PP).
“Eu procurei entender o que cada um explicou. Mostrei qual era a minha prioridade, mas disse que aceitava. Porque eu não faço política obrigando ninguém”, enfatizou.
Apesar das baixas, Paulinho afirmou que ainda tenta recompor parte da base. “Fiz apelo. Eu acho que, desses aí, um vai retornar. Eu vou ter uma conversa com ele hoje”, afirmou, sem citar o nome do parlamentar específico.
O prefeito de Natal registrou que busca manter a coesão do grupo que o elegeu em 2024. “A minha eleição não foi ‘minha’, foi a eleição de um grupo, de um coletivo. Quando começou a eleição, eu tinha 3, 4 pontos, e um coletivo fez a minha eleição”, declarou.
Paulinho reforçou que entrará ativamente na campanha de Álvaro Dias e apostou no ex-prefeito como nome mais preparado para governar o Estado. “Álvaro foi um grande prefeito. Natal tem tudo para ter um governador que foi prefeito da cidade, que conhece a cidade. Como governador, vai ajudar nossa cidade”, declarou.
“Eu vou lutar até a última hora para que Álvaro seja o governador”, acrescentou.
Em outro momento da entrevista, Paulinho comentou declarações recentes de Allyson Bezerra indicando disposição para manter relação institucional com a Prefeitura do Natal caso seja eleito governador. O prefeito respondeu dizendo que pretende dialogar com qualquer chefe do Executivo estadual, embora tenha reforçado preferência política por Álvaro Dias. “Qualquer que seja o governador, eu vou ter que dialogar. Porque Natal faz parte do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Relação com PT
Durante a entrevista, Paulinho Freire também comentou sua aproximação institucional recente com a vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT. Apesar de o partido fazer oposição à gestão municipal, o prefeito afirmou que a parlamentar tem ajudado a destravar demandas da Prefeitura do Natal junto ao Governo Federal e elogiou sua interlocução em Brasília.
“A oposição, principalmente a vereadora Samanda, tem muita influência no Governo Federal”, disse.
Segundo ele, Samanda passou a atuar na liberação de pendências relacionadas a obras e recursos federais para a capital. “Ela realmente se preocupou em ir a Brasília e ver o que é que estava pendente. E ficou de destravar algumas coisas lá”, declarou.
Apesar do diálogo com a vereadora petista, Paulinho endureceu o discurso ao comentar a atuação da deputada federal Natália Bonavides e do vereador Daniel Valença, ambos do PT.
Ao falar sobre críticas feitas pela oposição durante o período de chuvas em Natal, o prefeito acusou Natália de só aparecer na capital em momentos de crise. “Ela desaparece de Natal e só aparece aqui na época que tem alguma desgraça aqui. Ela aparece como se fosse a salvadora da pátria”, afirmou.
Em outro trecho, associou petistas a “sapos cururus”, por, em tese, só aparecem em períodos chuvosos. “Ficam no pé das lagoas para ver se vai transbordar”, destacou.
Paulinho questionou ainda o volume de recursos destinados diretamente à capital pela deputada federal. “Eu queria saber de Natália quais emendas que ela mandou para Natal. Mas emendas para obras de infraestrutura. Não é emenda que ela manda para o Estado e diz que mandou para Natal”, declarou.
Em seguida, incluiu Daniel Valença nas críticas. “Ela tem um vereador também que não tem trabalho nenhum para Natal”, afirmou. O prefeito elevou o tom ao acusar setores do PT de priorizarem disputas ideológicas em detrimento de ações práticas para o estado e para a capital.
“A verdade é que tem um povo na ala do PT que eles não gostam de Natal nem do Rio Grande do Norte. Eles gostam da ideologia deles”, declarou.
Mesmo com as críticas, Paulinho defendeu que as divergências políticas não impeçam o diálogo institucional entre os grupos. “O palanque tem que ser montado na época da campanha”, afirmou, ao defender maior cooperação política em favor do Estado.
Reação a Carla Dickson
Durante a entrevista, Paulinho Freire também rebateu as declarações da deputada federal Carla Dickson (PL) sobre suposto uso da estrutura da Prefeitura do Natal em favor da pré-candidatura da vereadora Nina Souza (PL), esposa do prefeito. O gestor negou qualquer favorecimento dentro da administração municipal, apesar de reconhecer que apoiará Nina na eleição.
“Eu não vou permitir (uso da máquina). Inclusive, vamos fazer um decreto”, ressaltou, sem detalhar que medidas vai adotar.
Paulinho afirmou ainda que Nina possui trajetória política própria e não dependeria da estrutura da prefeitura para disputar a eleição. “Ela tem o que mostrar pelo trabalho que ela já fez como vereadora e como secretária”, declarou, citando a passagem da esposa pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas).
Em seguida, sugeriu que as críticas feitas por Carla Dickson decorreriam de insegurança eleitoral. “Eu acho um pouco de desespero da candidata”, disse.
O prefeito também mencionou contratos ligados ao marido da deputada, o médico oftalmologista e ex-deputado estadual Albert Dickson, com a Prefeitura do Natal. “O próprio esposo dela presta serviço para a prefeitura. Será que eles estão usando também a máquina dentro da gestão?”, afirmou.
Apesar do embate, Paulinho adotou tom conciliador ao comentar o pedido de desculpas feito posteriormente pela deputada e disse considerar o episódio superado. “Para mim, sempre teve superado, porque não existe uso de máquina”, declarou.
“Eu acho que Carla tem potencial de lutar pelos votos dela, tem potencial para se eleger. Foi um momento de empolgação dela. Ela tem tudo para se eleger, porque é uma boa candidata. E vamos participar da campanha, cada um mostrando o que pode fazer, o que já fez. E o povo é quem vai analisar tudo isso e é quem vai dizer quem vai se eleger”, finalizou.