O Palácio do Planalto trabalha com a expectativa de que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajude a enfraquecer a interlocução mantida por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) junto à Casa Branca. A reunião entre os dois chefes de Estado está prevista para esta quinta-feira 7.
Dentro do governo, a avaliação é de que a agenda ocorre em um momento politicamente delicado para a disputa presidencial brasileira, especialmente após o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo integrantes do Planalto, o senador conta hoje com dois interlocutores próximos ao governo americano: o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo, ambos alinhados ao bolsonarismo e atuantes nos Estados Unidos.
A expectativa do governo Lula é que a reunião fortaleça o presidente brasileiro como principal canal institucional de diálogo entre Brasília e Washington. O encontro foi acertado após conversa telefônica entre Trump e Lula no último fim de semana, quando o presidente americano sugeriu uma reunião presencial ainda nesta semana.
Nos bastidores, auxiliares do governo apontam que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo mantêm trânsito em setores da Casa Branca e já influenciaram posições americanas em temas ligados ao Brasil, especialmente durante discussões sobre medidas tarifárias.
O Planalto considera que o momento da agenda é estratégico porque, a partir de junho, Lula deverá intensificar compromissos ligados à pré-campanha eleitoral.
No início do ano, havia preocupação no governo de que uma visita aos Estados Unidos coincidisse com o agravamento da guerra envolvendo o Irã, iniciada em fevereiro. Agora, a avaliação é de que a possibilidade de anúncio de um cessar-fogo ou acordo de paz criou ambiente mais favorável para a realização da viagem.
Além da dimensão diplomática, o governo também identifica potencial impacto político-eleitoral na reunião. A estratégia do Planalto é reforçar a imagem de Lula como líder capaz de manter relações institucionais e comerciais com os Estados Unidos apesar das divergências ideológicas com Trump.
Um dos principais pontos da pauta é a proposta brasileira de cooperação em segurança pública, incluindo ações conjuntas de combate ao tráfico internacional de armas e à lavagem de dinheiro. Também poderá entrar na discussão a cooperação com outros países da região.
Outro tema sensível para o Planalto envolve a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras, como o CV e o PCC, como organizações terroristas.
Dentro do governo, existe temor de que essa designação abra margem jurídica para ações americanas em território brasileiro. Integrantes do Planalto também avaliam que o assunto poderia ser explorado politicamente por adversários bolsonaristas durante a campanha eleitoral.
A questão dos minerais estratégicos, especialmente as chamadas terras raras, também deve ganhar espaço na reunião. Os Estados Unidos demonstraram interesse na exploração dos minerais críticos brasileiros, e Lula pediu prioridade para a tramitação do projeto que regulamenta a atividade no país.
O governo brasileiro ainda pretende discutir a investigação comercial conduzida pelos EUA com base na chamada Seção 301, mecanismo utilizado por Washington para punir práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos.