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Política

Coronel Brilhante se lança a deputado federal com bandeira do combate ao crime

Pré-candidato pelo PL aposta no discurso de endurecimento contra facções criminosas e defende redução da maioridade penal
Redação
07/05/2026 | 05:33

O tenente-coronel da Polícia Militar Inácio Brilhante Filho, conhecido como Coronel Brilhante, vai para a disputa eleitoral de 2026 com uma plataforma centrada na segurança pública. Em entrevista ao podcast Especial Eleições 2026, da TV Agora RN, o policial militar afirmou nesta quarta-feira 6 que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal pelo PL e apresentou um discurso fortemente ancorado no endurecimento penal, no reforço das forças de segurança e na crítica ao avanço do crime organizado no Rio Grande do Norte.

Com trajetória construída no interior do Estado, sobretudo na região Oeste, Brilhante ganhou notoriedade na Polícia Militar por operações contra quadrilhas de assalto a banco e grupos ligados ao chamado “Novo Cangaço”. Ao longo da entrevista, ele utilizou episódios de confrontos armados e experiências acumuladas em operações policiais para sustentar o argumento de que o Rio Grande do Norte enfrenta um processo de expansão acelerada das facções criminosas.

Coronel Brilhante foto Jose Aldenir
Oficial da PM Inácio Brilhante Filho, conhecido como Coronel Brilhante, em entrevista ao podcast Especial Eleições 2026 - Foto: José Aldenir

“Hoje, em alguns pontos do estado do Rio Grande do Norte, integrantes de facções criminosas cobram pedágio”, afirmou. Segundo ele, o problema não está restrito à Região Metropolitana de Natal. “Quase toda cidade tem uma célula de uma facção criminosa. E eles brigam por território”, declarou.

Ao justificar a entrada na política, Brilhante disse que passou a ser procurado por moradores de diferentes municípios não apenas para tratar de segurança, mas também de problemas relacionados à saúde, infraestrutura e educação. Segundo ele, a pressão de apoiadores e aliados políticos acabou empurrando seu nome para a disputa eleitoral.

O policial afirmou que resistiu inicialmente à ideia de disputar eleições porque considerava que ainda precisava continuar atuando operacionalmente na corporação. Mas Brilhante foi candidato a deputado federal em 2022 pelo PP e obteve pouco mais de 30 mil votos. Agora, pretende disputar a eleição alinhado ao PL e ao campo bolsonarista. Durante a entrevista, ele voltou a enfatizar seu posicionamento ideológico. “Eu sou de direita, conservador, bolsonarista”, afirmou.

A aproximação com o PL ocorreu após convite do senador Rogério Marinho, presidente estadual da sigla. Embora ainda esteja na ativa e, portanto, sem filiação partidária formal até o período das convenções, ele já atua politicamente ao lado de nomes ligados ao partido, como o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio.

Brilhante disse que percorreu mais de 100 municípios ao lado do aliado no movimento que chamou de “Rota dos Coronéis”. Segundo ele, o objetivo foi ouvir demandas da população e fortalecer bases políticas no interior do Estado. “Por onde eu passo, estou sendo muito bem acolhido. As pessoas já dizem: ‘Olha, você está no 22, é isso aí que a gente queria que você estivesse aí mesmo’”, declarou.

Combate às facções

A segurança pública dominou a maior parte da entrevista. Coronel Brilhante afirmou que o Estado perdeu espaço para o crime organizado nos últimos anos e relatou que já fazia alertas, ainda entre 2007 e 2008, sobre a presença embrionária do PCC no Rio Grande do Norte.

O policial também chamou atenção para a presença cada vez maior de armamentos pesados nas mãos de criminosos. “Agora, no nosso estado, vocês veem que constantemente se faz abordagem contra fuzil”, afirmou. Segundo ele, o crescimento do poder bélico das facções exige reforço das fronteiras brasileiras e maior integração entre estados. “O Ceará tem que fazer a parte dele. A Paraíba tem que fazer a parte dela. O estado do Rio Grande do Norte também”, declarou.

O policial fez críticas contundentes ao que considera avanço territorial das organizações criminosas sobre comunidades e serviços privados. Citando ataques a provedores de internet na Grande Natal, ele afirmou que as facções já interferem diretamente na vida cotidiana da população.

“As facções criminosas já estão entrando em suas residências”, afirmou. “Não é somente pela questão da droga. É a partir do momento que ela obriga você a usar um provedor deles”, disse.

Brilhante também defendeu mudanças na legislação penal brasileira. Mas para ele, o endurecimento das leis é insuficiente sem alterações mais profundas também no sistema penitenciário e na política de responsabilização criminal de adolescentes.

“Tem que baixar para 14 anos”, afirmou ao defender a redução da maioridade penal, citando que, atualmente, “o crime começa a recrutar adolescentes de 13, 14 e 15 anos”.

O policial também criticou benefícios concedidos a detentos e afirmou que o sistema prisional brasileiro perdeu o caráter punitivo. “A cadeia, o presídio, não é local de parque de diversão nem tão pouco colônia de férias”, disse.

Ao comentar a progressão de pena, Brilhante afirmou que muitos criminosos voltam às ruas rapidamente e reincidem em delitos ainda mais graves. “Quando eles saem do presídio, voltam a cometer tudo de novo e, na sua maioria, crimes mais graves”, declarou.

Em outro trecho da entrevista, ele citou episódios recentes de violência urbana para sustentar o discurso de agravamento da insegurança no Estado. Ao mencionar confrontos em Mãe Luiza, em Natal, afirmou que a violência interfere diretamente na rotina da população. “Fechou a UPA, a escola fechou. O trabalhador de bem está refém do sistema das facções criminosas”, afirmou.

Disputa eleitoral

Sobre a disputa majoritária, Brilhante disse que seu grupo político preferia inicialmente a candidatura do senador Rogério Marinho ao Governo do Estado, mas declarou que o PL todo apoiou a adesão à candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que se filiou à legenda. “A gente abraçou o ex-prefeito Álvaro Dias”, disse.

Na avaliação do policial, a eleição estadual tende a reproduzir a polarização nacional entre direita e esquerda. Por isso, ele aposta em um possível segundo turno entre Álvaro Dias e o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT). Segundo ele, candidatos situados no centro político, como o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União), devem perder espaço ao longo da campanha.

“Ou você está na esquerda ou você está na direita”, afirmou. “Não temos mais vaga para quem está no meio”, acrescentou.

Na disputa para o Senado, Brilhante defendeu a candidatura de Coronel Hélio e manifestou simpatia pela reeleição do senador Styvenson Valentim (Podemos), apesar de críticas recentes feitas por associações de oficiais da PM após declarações do parlamentar sobre coronéis da corporação. Brilhante relativizou a polêmica envolvendo Styvenson e afirmou que o senador foi mal interpretado.