Uma das dúvidas mais frequentes entre consumidores de bebidas alcoólicas envolve o tempo necessário para que o organismo elimine completamente o álcool ingerido. Embora muitas pessoas acreditem que o corpo “processa rápido” a bebida, especialistas alertam que o álcool pode permanecer circulando no organismo por várias horas, dependendo da quantidade consumida, da velocidade da ingestão e das características individuais de cada pessoa.
Um artigo publicado pelo American Addiction Centers (AAC) detalha como ocorre o metabolismo do álcool e explica os fatores que influenciam esse processo. Segundo os pesquisadores, o corpo humano possui alta capacidade de metabolização da substância, desde que o consumo não ocorra de maneira acelerada a ponto de provocar intoxicação alcoólica.

De acordo com o levantamento, entre 90% e 98% do álcool ingerido é metabolizado pelo organismo. Apenas uma pequena parcela permanece sem ser absorvida, sendo eliminada por meio do suor, da urina, do vômito e das fezes. O processo de absorção começa ainda no estômago. Em seguida, o álcool entra na corrente sanguínea e circula pelo corpo. Aproximadamente 20% da substância é absorvida diretamente pelo estômago, enquanto o restante segue para o intestino delgado, onde ocorre a maior parte da absorção devido à grande concentração de vasos sanguíneos na região.
Os especialistas apontam que cerca de 80% do álcool chega à corrente sanguínea por meio do intestino delgado. Depois disso, o fígado passa a desempenhar papel central na metabolização da bebida, sendo considerado o principal órgão responsável por processar o álcool consumido.
Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o tempo necessário para eliminar o álcool não é igual para todas as pessoas. O metabolismo pode variar de acordo com fatores como sexo biológico, peso corporal, uso de medicamentos, consumo de drogas recreativas, alimentação, condições de saúde e velocidade de ingestão das bebidas.
Outro fator relevante é a chamada Taxa de Álcool no Sangue (TAS), utilizada para medir a quantidade de álcool presente no organismo. Em alguns países, os limites legais para dirigir variam conforme a concentração alcoólica identificada no sangue. No Brasil, a legislação de trânsito adota tolerância zero, embora exista margem mínima considerada nos testes do bafômetro.
Segundo o estudo, quando a concentração de álcool no sangue atinge cerca de 1,5 g/L, muitas pessoas começam a apresentar episódios de vômito devido à dificuldade do organismo em metabolizar rapidamente a substância. Em níveis próximos de 3,5 g/L, há risco elevado de perda de consciência. Já concentrações em torno de 4,5 g/L podem ser letais para metade da população.
O que determina quanto tempo o corpo levará para eliminar o álcool é a quantidade total ingerida. Por isso, uma lata de cerveja com cerca de 5% de álcool pode equivaler, em termos de metabolização, a uma taça de vinho de 150 ml com teor alcoólico de 12% ou a uma dose de destilado de 44 ml com cerca de 40% de álcool. Embora as bebidas possuam concentrações diferentes, todas podem conter quantidades semelhantes de álcool puro. Os especialistas explicam que o organismo costuma metabolizar, em média, uma dose padrão de álcool por hora. Dessa forma, o tempo de eliminação varia conforme o número de doses ingeridas e o horário em que o consumo começou.
Uma pessoa que começa a beber às 13h e consome três doses de álcool pode eliminar completamente a substância por volta das 16h. Caso o consumo inclua cinco doses, o organismo pode levar até aproximadamente 18h para concluir o processo. Se o consumo tiver início às 17h, três doses podem permanecer no organismo até cerca das 20h. Já cinco doses poderiam ser eliminadas apenas por volta das 22h. Em situações em que a ingestão começa às 21h, três doses poderiam permanecer até meia-noite, enquanto cinco doses poderiam continuar sendo metabolizadas até 2h.