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Instagram

Instagram estimará idade por estrutura óssea

Tecnologia será aplicada no Brasil, EUA e Europa para identificar usuários adolescentes e reforçar medidas de segurança na plataforma
Por O Correio de Hoje
06/05/2026 | 12:43

A Meta anunciou a ampliação de um sistema de verificação etária no Instagram que utiliza análise facial para estimar a idade dos usuários. A ferramenta começa a ser implementada no Brasil, nos Estados Unidos e em países da União Europeia com o objetivo de identificar contas que pertençam a adolescentes ou crianças utilizando idade incorreta no cadastro da plataforma.

Segundo a empresa, o sistema busca detectar principalmente usuários com menos de 13 anos, idade mínima permitida para criação de contas no Instagram em diversos países. A tecnologia analisa características faciais associadas à estrutura óssea para estimar a faixa etária do usuário.

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Instagram passa a usar análise facial para estimar idade de usuários e aplicar restrições voltadas a adolescentes Foto: FreePik

De acordo com a Meta, a ferramenta não realiza reconhecimento facial individual nem identifica a identidade da pessoa. O recurso é utilizado apenas para calcular uma estimativa de idade com base em padrões faciais observados em vídeos enviados pelo usuário.

A empresa informou que a verificação pode ser acionada quando houver suspeita de divergência entre a idade cadastrada e a idade aparente do perfil. Entre os sinais considerados pelo sistema estão denúncias feitas por outros usuários, comportamento da conta e informações relacionadas à atividade do perfil.

Segundo a Meta, caso o sistema indique que um usuário aparenta ser adolescente, a conta poderá ser automaticamente enquadrada nas configurações voltadas para menores de idade. Essas restrições incluem limitações em mensagens privadas, filtros adicionais de conteúdo sensível e alterações nas configurações de privacidade.

A companhia afirma que a tecnologia pretende reforçar as medidas de proteção destinadas ao público adolescente nas plataformas digitais. Nos últimos anos, redes sociais vêm enfrentando pressão de autoridades e órgãos reguladores em diversos países por conta dos impactos do uso excessivo das plataformas entre crianças e adolescentes.

A Meta informou que o sistema já vinha sendo testado anteriormente em alguns mercados. A expansão agora inclui novos países e faz parte de um conjunto mais amplo de medidas voltadas à segurança digital de adolescentes.

Segundo a empresa, a análise facial é realizada por meio de parceria com uma companhia especializada em estimativa etária. O usuário pode ser solicitado a gravar um pequeno vídeo para que a ferramenta faça a avaliação facial. Após o processamento, o material é descartado, segundo a Meta.

A companhia sustenta que a ferramenta apresenta taxa de precisão elevada, embora reconheça a possibilidade de erros. Por isso, usuários poderão contestar o resultado caso considerem que a estimativa de idade esteja incorreta.

A Meta também afirmou que adolescentes identificados pelo sistema poderão ter acesso reduzido a determinados conteúdos considerados inadequados para menores de idade. Entre as medidas já adotadas pela empresa estão limites para recomendações de temas sensíveis e restrições em interações com adultos desconhecidos.

Especialistas em segurança digital apontam que o debate sobre verificação etária ganhou força diante do crescimento da presença de crianças e adolescentes nas redes sociais. Empresas de tecnologia vêm sendo pressionadas a criar mecanismos mais eficientes para impedir que menores utilizem plataformas sem supervisão adequada.

Nos últimos anos, diferentes países passaram a discutir legislações voltadas à proteção de menores no ambiente digital. Parte das propostas prevê exigências mais rígidas para plataformas identificarem a idade real dos usuários e ampliarem mecanismos de controle parental.

A Meta afirma que a nova ferramenta não substitui outros métodos de verificação já existentes, mas funcionará como mais uma camada de segurança. A empresa também informou que o sistema continuará sendo aprimorado conforme os testes forem ampliados.

O avanço da tecnologia, no entanto, também reacende discussões sobre privacidade e coleta de dados biométricos. Organizações de defesa de direitos digitais alertam para a necessidade de transparência no uso dessas ferramentas e para a garantia de proteção das informações dos usuários.

Mesmo diante das críticas, empresas de tecnologia avaliam que mecanismos automáticos de verificação etária devem se tornar cada vez mais presentes nas plataformas digitais. A Meta considera que a ferramenta poderá ajudar a reduzir fraudes relacionadas à idade e ampliar a proteção de adolescentes nas redes sociais.