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Deportação

Política de deportação dos EUA é ampliada

EUA ampliam deportações e enfrentam críticas sobre política migratória
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 15:28

A política migratória dos Estados Unidos tem ampliado o número de deportações e intensificado críticas de organizações de direitos humanos, em meio a uma abordagem considerada mais rígida e com implicações internacionais. A avaliação é de Enrique Roig, vice-presidente da organização Human Rights First e ex-integrante do Departamento de Estado no governo Joe Biden, que aponta riscos legais e políticos na estratégia adotada pela atual gestão de Donald Trump .

Segundo Roig, os voos de deportação aumentaram significativamente nos últimos meses. Apenas em março, foram registradas 225 partidas para 46 países, alta de 23% em relação ao mês anterior. A política inclui o envio de imigrantes a países diferentes de sua origem, com apoio financeiro dos EUA para custear detenções em nações parceiras .

Enrique Roig
Constatação é de Enrique Roig, que foi membro do governo Joe Biden Foto: Reprodução/Internet

A estratégia de firmar acordos com outros países para receber deportados tem gerado questionamentos jurídicos. Segundo Roig, há disputas legais em andamento sobre a validade desses arranjos, inclusive no Congresso americano. Ele alerta que países que aceitam essas parcerias podem enfrentar ações judiciais futuras.

O Brasil chegou a ser citado nesse contexto, mas rejeitou a possibilidade de receber imigrantes deportados de outras nacionalidades. Para o especialista, a decisão envolve riscos relacionados ao respeito ao devido processo legal e aos direitos de asilo, além de potenciais impactos sobre os sistemas prisionais locais .

Roig classifica a política externa dos EUA para a América Latina como “paternalista e militarista”, com uso político do combate ao narcotráfico e tendência à classificação de grupos armados como organizações terroristas. Ele afirma que essa abordagem pode comprometer a soberania de países da região e ampliar tensões diplomáticas.

Segundo o especialista, a estratégia prioriza ações de força em detrimento de cooperação institucional e financeira. Ele defende maior integração entre países para combater fluxos financeiros ilícitos e a infiltração do crime organizado em estruturas públicas e privadas .

No plano doméstico, a condução da política migratória também tem gerado repercussão. Roig aponta que ações de agentes de imigração continuam ocorrendo, ainda que com menor visibilidade, e que episódios recentes contribuíram para ampliar o debate público sobre direitos humanos nos Estados Unidos.

A avaliação é de que o tema pode influenciar o cenário político, especialmente em relação ao apoio de eleitores latinos. Segundo o especialista, há sinais de insatisfação dentro do próprio Partido Republicano, o que pode levar a mudanças na condução das políticas caso haja alteração no equilíbrio de forças no Congresso .

O monitoramento realizado pela Human Rights First indica a formação de uma rede global de deportação, com envio de imigrantes para dezenas de países, incluindo nações da América Latina, África e Ásia. Em alguns casos, solicitantes de asilo são transferidos para países intermediários, como Panamá e Costa Rica.

Roig também critica a política em relação a venezuelanos, afirmando que os EUA continuam deportando pessoas para um contexto considerado instável. Segundo ele, a estratégia migratória tem sido orientada por interesses geopolíticos e econômicos, sem alterações substanciais nas condições enfrentadas pelos imigrantes .

A análise aponta que a política migratória atual dos Estados Unidos deve permanecer no centro do debate internacional, tanto por seus impactos humanitários quanto pelas implicações legais e diplomáticas envolvendo países parceiros.