O Federal Reserve (FED) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado financeiro. A decisão, anunciada nesta quarta-feira 29, marca a terceira reunião consecutiva sem alterações e ocorre em meio ao avanço das incertezas globais, especialmente relacionadas à guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre a inflação.
O cenário internacional tem sido pressionado pela disparada dos preços do petróleo, que chegaram a US$ 120 por barril, maior nível desde 2022, após o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O Comitê Federal de Mercado Aberto destacou, em comunicado, que a inflação permanece elevada, refletindo em parte o aumento recente nos preços globais de energia, além de apontar que os desdobramentos no Oriente Médio elevam o grau de incerteza sobre as perspectivas econômicas.

Apesar disso, a economia americana segue apresentando expansão em ritmo considerado sólido, enquanto o mercado de trabalho mantém estabilidade, com baixa variação na taxa de desemprego. Ainda assim, o Fed reforçou que seguirá monitorando os riscos e se mantém preparado para ajustar a política monetária caso necessário, reiterando o compromisso com a meta de inflação de 2% e o pleno emprego.
A decisão ocorre na última reunião sob a presidência de Jerome Powell, que deixará o comando da instituição em 15 de maio, após oito anos no cargo. A expectativa é que Kevin Warsh assuma a liderança já na próxima reunião, em junho, em meio a um contexto de maior influência política sobre a autoridade monetária.
Os efeitos da política de juros americana têm repercussão direta sobre economias emergentes, como o Brasil. Com taxas ainda elevadas nos EUA, cresce a atratividade dos títulos do Tesouro americano, fortalecendo o dólar e reduzindo o fluxo de capitais para países emergentes. Esse movimento tende a pressionar o câmbio e a inflação, dificultando cortes mais rápidos na taxa básica de juros brasileira.
Além disso, o encarecimento do petróleo tem impacto direto sobre combustíveis e cadeias produtivas, ampliando pressões inflacionárias globais. Dados recentes mostram que a inflação nos EUA acumula 3,3% em 12 meses, enquanto os preços ao consumidor avançaram 0,9% em março, maior alta desde 2024, influenciados por energia, alimentos e moradia.
Diante desse ambiente, o Fed sinaliza cautela e reforça que o processo de ajuste da política monetária seguirá dependente da evolução dos indicadores econômicos e do cenário internacional, especialmente dos desdobramentos geopolíticos e seus impactos sobre os preços e a atividade econômica.