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Política

Ex-prefeito do PT sugere que Ezequiel indique vice de Cadu para o Governo

Odon Júnior defende ampliação de alianças com o centro político e descarta disputar vaga de vice
Redação
30/04/2026 | 05:17

O ex-prefeito de Currais Novos e pré-candidato a deputado federal Odon Júnior (PT) afirmou que vê com “bons olhos” a possibilidade de o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), indicar o candidato a vice na chapa do pré-candidato ao Governo do Estado Cadu Xavier (PT).

Em entrevista à rádio 98 FM Natal, Odon destacou o peso institucional e político de Ezequiel no cenário estadual e indicou que uma aliança com o PSDB pode fortalecer o projeto do PT no Estado. “Eu vejo positivamente uma construção nesse sentido”, afirmou, ao programa “Repórter 98”.

Ex-prefeito do PT sugere que Ezequiel indique vice de Cadu para o GoveRio Grande do Norteo
Ex-prefeito Odon Júnior, de Currais Novos, é pré-candidato a deputado federal - Foto: Instagram / Reprodução

Na avaliação do ex-prefeito, a eventual indicação de um vice ligado ao PSDB não apenas ampliaria a base política da chapa governista, como também contribuiria para consolidar uma frente mais competitiva. “Eu vejo com bons olhos para fortalecer esse nosso campo político aqui, o campo progressista”, declarou.

Odon também deixou claro que essa estratégia passa por uma lógica de ampliação de alianças, indo além do núcleo tradicional da esquerda. Ele defende uma articulação mais ampla no tabuleiro eleitoral do Rio Grande do Norte.

Durante a entrevista, Odon Júnior também tratou diretamente das especulações sobre a possibilidade de compor a chapa majoritária como candidato a vice. Ele descartou essa hipótese e reafirmou que seu projeto político está direcionado à disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Embora tenha demonstrado apreço pelo nome de Cadu Xavier e confiança em sua candidatura, Odon indicou que a composição ideal passa pela inclusão de aliados. “Eu entendo, para que essa vitória chegue e aconteça, se vier um vice que seja de um partido aliado numa composição que fortaleça ainda mais o nome de Cadu, isso é melhor para o nosso conjunto”, disse.

Nominata federal

Odon também comentou a formação da nominata da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, para a disputa de deputado federal. Segundo ele, o grupo tem potencial para ampliar sua representação na Câmara dos Deputados, passando de dois para até três ou quatro parlamentares eleitos. Atualmente, a federação tem os deputados Fernando Mineiro e Natália Bonavides, ambos do PT.

“A minha convicção é que a gente amplia a bancada de dois para três”, afirmou. Ele admitiu a possibilidade de um resultado ainda mais expressivo, caso haja desempenho acima das expectativas: “Se todo mundo estourar, todo mundo subir a meta, a gente pode fazer uma quarta cadeira”.

Ao tratar da disputa interna por espaço na nominata, o ex-prefeito adotou um tom conciliador e destacou a maturidade do grupo político. Ele classificou o cenário como positivo, mesmo diante da necessidade de ajustes. “É muito bom você ter mais candidato do que você precisa, é um problema bom a se resolver”, afirmou. Por lei, cada partido ou federação só pode ter no máximo 9 candidatos, sendo que ao menos três precisam ser de um gênero diferente da maioria.

Entre as alternativas apontadas, ele citou a possibilidade de negociação interna entre os partidos da federação ou até mesmo o redirecionamento de candidaturas. “Ou negociar com o PCdoB a segunda vaga, ou alguém dos que estão pré-candidatos a deputado federal irem para uma disputa estadual”, explicou.

Odon ressaltou que não vê um ambiente de conflito dentro da federação. “Não há uma disputa. Acho que a gente hoje tem uma maturidade política muito bacana dentro do partido”, disse, acrescentando que a definição deverá ocorrer por meio do diálogo.

Avaliação do governo Fátima

Outro ponto abordado na entrevista foi a avaliação do governo da governadora Fátima Bezerra (PT), que enfrenta altos índices de desaprovação em pesquisas recentes. Odon reconheceu o cenário, mas atribuiu parte desse resultado à dinâmica atual da comunicação política, especialmente nas redes sociais.

Para ele, o problema não está necessariamente na gestão, mas na forma como a informação circula. “Hoje a comunicação está bastante fragmentada e tem uma influência muito forte das redes sociais”, afirmou. Segundo Odon, o ambiente digital favorece conteúdos polarizados e dificulta a divulgação de ações administrativas.

“O algoritmo tem uma influência ali, modificando, alterando o sentimento popular das pessoas”, disse. Ele também afirmou que a esquerda enfrenta dificuldades nesse ambiente: “Eu acho que a esquerda não conseguiu entrar nesse mundo dessa polarização, desse engajamento, que não nos é favorável”.

O ex-prefeito também criticou o que considera ataques vazios nas redes sociais. “Tinha milhares de robôs para me atacar, pessoas que não tinham nada a acrescentar, só para dizer ‘PT lixo’, ‘PT ladrão’, ‘governadora incompetente’ e tal”, relatou, ao citar experiências pessoais durante a gestão municipal em Currais Novos.

Apesar disso, ele defendeu os resultados do governo estadual e citou avanços na área econômica. Segundo Odon, políticas como incentivos fiscais contribuíram para a geração de empregos. “O indicador de sete anos de Fátima são 120 mil empregos a mais de carteira assinada”, afirmou.