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Mercosul

Mercosul segue sem acordo sobre divisão de cotas de carne no tratado com a União Europeia

Brasil e Paraguai divergem sobre critérios para distribuição da cota de importação prevista no acordo comercial
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 14:58

Os países do Mercosul ainda não chegaram a um consenso sobre a divisão das cotas de importação previstas no acordo com a União Europeia, cuja aplicação provisória começa na sexta-feira 1º. O principal impasse envolve a distribuição da cota de carne bovina, considerada estratégica para o bloco.

Pelo acordo, produtos agrícolas terão acesso ao mercado europeu com tarifas reduzidas dentro de limites pré-estabelecidos. No caso da carne bovina, a cota anual é de 99 mil toneladas, com alíquota inicial de 7,5%. O volume deve ser dividido entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que tem gerado divergências entre os países.

Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado
Mercosul e União Europeia assinaram acordo comercial - Foto: Reprodução

O Paraguai, que ocupa a presidência temporária do Mercosul, defende uma divisão igualitária, com 24,75 mil toneladas para cada integrante. O Brasil, maior produtor e exportador do bloco, contesta a proposta e argumenta que a distribuição deve considerar a capacidade produtiva e o histórico de exportações.

Atualmente, o Brasil exporta carne bovina para a União Europeia dentro de uma cota de cerca de 8,9 mil toneladas, sujeita a tarifa de 20%. Fora desse limite, as alíquotas variam entre 40% e 90%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A entidade defende que a divisão futura leve em conta critérios técnicos, como desempenho e capacidade de fornecimento.

Diante da falta de acordo, negociadores admitem que, na fase inicial, a cota pode ser ocupada por ordem de contratos fechados, sem divisão prévia entre os países. A expectativa é que uma definição mais estruturada ocorra apenas a partir do próximo ano, à medida que o acordo avance em sua implementação.