O número de furtos de fios e cabos elétricos no Rio Grande do Norte apresentou redução entre 2024 e 2025, com manutenção da tendência de queda no início de 2026, mas o crime segue com impacto relevante sobre consumidores e infraestrutura. Dados da Neoenergia Cosern indicam que o Estado saiu de 1.675 ocorrências em 2024 para 1.657 em 2025. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 352 casos. Em Natal, o recuo foi mais acentuado: de 760 ocorrências em 2024 para 354 em 2025, com 100 registros entre janeiro e março deste ano.
Apesar da redução no volume de casos, os prejuízos e o número de clientes afetados variam de forma significativa. Em 2024, o impacto financeiro chegou a R$ 24,6 milhões, com cerca de 530 mil consumidores atingidos, impulsionado por furtos em linhas de alta tensão entre Macau e Guamaré. Já em 2025, mesmo com número semelhante de ocorrências, o prejuízo caiu para R$ 4 milhões e o total de clientes afetados foi reduzido para 260 mil. Em 2026, até março, o custo estimado é de R$ 850 mil, com 3,6 mil clientes impactados.

Os dados históricos mostram a escalada recente do problema. Em 2023, foram 889 ocorrências, com prejuízo de R$ 2,13 milhões e 40 mil clientes afetados. O volume de cabos furtados também cresceu: passou de 35 quilômetros em 2023 para 67 quilômetros em 2024, recuando para 65 quilômetros em 2025. No acumulado parcial de 2026, a extensão estimada é de 14 quilômetros.
As ocorrências têm distribuição geográfica variada ao longo do período analisado. Em 2024 e 2025, os registros se concentraram em Natal e João Câmara. Já em 2026, até março, os bairros de Petrópolis e Ponta Negra aparecem entre os pontos com registros na capital. No interior, municípios da região salineira seguem entre os mais afetados.
Segundo a Neoenergia Cosern, medidas de enfrentamento foram ampliadas ao longo do último ano. “Imediatamente após a constatação das ocorrências, registramos um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima e repassa as informações necessárias aos agentes de segurança pública para ajudar na identificação das autorias dos crimes. Desde maio de 2025, passamos a marcar os cabos da rede elétrica com um tipo de tinta inteligente que auxilia na identificação do cobre. A tinta possui micropartículas com nanotecnologia que se integram ao cobre, deixando o material marcado quimicamente para sempre, mesmo se for triturado ou derretido para revenda. A ação de pintura dos cabos começou por Mossoró, Tibau, Grossos, Areia Branca, Porto do Mangue, Macau e Guamaré, os municípios mais afetados por esse tipo de crime, e já avançou para quase todo o estado”, afirma Júlio Giraldi, superintendente de Operações da Neoenergia Cosern.
Mesmo com a redução recente nos registros, o volume de ocorrências e os prejuízos acumulados mantêm o tema como ponto de atenção para o setor elétrico e para a segurança pública no Estado.