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Eleições

Aliados a Bolsonaro têm baixa mobilização por pré-candidatura de Flávio nas redes

Levantamento aponta baixa adesão de governadores bolsonaristas à pré-campanha nas redes sociais
Por O Correio de Hoje
27/04/2026 | 16:24

Governadores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vêm demonstrando baixa mobilização nas redes sociais em favor da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um levantamento realizado pelo jornal O Globo nas páginas oficiais de chefes do Executivo — além de nomes que deixaram recentemente os cargos para disputar eleições — indica que são raras as publicações de apoio desde que Flávio foi lançado pelo pai como pré-candidato, no fim do ano passado.

A falta de engajamento contrasta com a cobrança pública feita por Carlos Bolsonaro (PL) na última semana. Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, o ex-vereador do Rio de Janeiro sugeriu a realização de um pente-fino entre “prefeitos e vereadores” da legenda, com apoio de seguidores, para identificar quem não estaria contribuindo com a campanha do irmão — situação que o próprio Flávio classificou como “estarrecedor”.

Tarcisio foto Paulo Gueretta
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não têm sido ativo na pré-campanha - Foto: Paulo Gueretta / Governo de SP

O levantamento analisou publicações, desde janeiro, nos perfis de Instagram dos governadores Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Celina Leão (PP), do Distrito Federal; Otaviano Pivetta (Republicanos), do Mato Grosso; e Eduardo Riedel (PP), do Mato Grosso do Sul. Também foram incluídos Cláudio Castro (PL-RJ), Mauro Mendes (Podemos-MT), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Wilson Lima (União-AM), que deixaram recentemente os cargos com foco em disputas eleitorais.

Entre os nomes analisados, Jorginho Mello aparece como o único com atuação mais frequente em defesa da pré-candidatura de Flávio, ainda que de forma limitada. Desde o início do ano, ele fez três publicações com apoio explícito ao senador, além de manter postagens críticas ao PT e ao governo Lula. Já Celina Leão tem priorizado manifestações públicas em favor de Michelle Bolsonaro, que recentemente esteve envolvida em desentendimentos com enteados. Ibaneis Rocha e Wilson Lima, por sua vez, não mencionaram Flávio em suas redes no período analisado.

No caso de Tarcísio de Freitas, apontado em alguns momentos como possível alternativa do bolsonarismo ao Planalto, há apenas uma publicação conjunta com Flávio. A postagem, feita no fim de fevereiro, apresenta uma mensagem de união em torno do “Projeto Brasil”, com o senador afirmando: “vamos estar juntos não apenas em São Paulo, mas devolvendo a esperança a todos os brasileiros”.

Direita unida

Em janeiro, diante de especulações sobre uma eventual candidatura presidencial, Tarcísio utilizou suas redes para reafirmar que disputaria a reeleição em São Paulo, descartando “informações diferentes”. Na ocasião, declarou estar “trabalhando sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder”. Dias depois, ele visitou Jair Bolsonaro na Papudinha e compartilhou registros do encontro, nos quais se refere ao ex-presidente como um “grande amigo”.

Ainda no início do ano, o governador paulista publicou conteúdos em apoio à caminhada do deputado Nikolas Ferreira, que percorreu 240 quilômetros entre Paracatu (MG) e Brasília (DF), acompanhado por apoiadores, em protesto pela libertação de Bolsonaro. Durante o carnaval, também fez críticas ao presidente Lula após o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista.

Assim como outros governadores, Tarcísio também publicou mensagens desejando feliz aniversário a Jair Bolsonaro, em 21 de março, e celebrou a decisão que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente.

Entre os aliados, Jorginho Mello se destaca como o principal apoiador de Flávio. O governador catarinense fez três publicações diretas em 2026, incluindo menções a pesquisas eleitorais. Em uma delas, classificou o senador como “moderado” e “capaz de conversar com todos e unir a direita”, reforçando a estratégia de apresentar o pré-candidato como uma liderança menos radical. Mello também compartilhou conteúdos em colaboração com Carlos Bolsonaro, além de reiterar apoio ao ex-presidente e críticas ao PT.

Já Celina Leão não divulgou a pré-candidatura de Flávio em suas redes. A única referência ao senador ocorreu em uma postagem recente, com trecho de entrevista em que ela comentou os desafios do campo bolsonarista: “Tenho certeza que Flávio e Michelle vão fazer um diálogo para trazer essa unidade”.

Michelle Bolsonaro, aliás, tem maior visibilidade nas publicações da governadora, aparecendo em vídeos institucionais e recebendo homenagens em datas comemorativas. Celina também apoiou publicamente Nikolas Ferreira em sua mobilização no início do ano.

Feliz aniversário

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro fez apenas uma publicação de apoio a Flávio, em 8 de abril, já após deixar o cargo. Antes disso, havia compartilhado mensagem de aniversário para Jair Bolsonaro e imagens de uma reunião com lideranças do PL, incluindo o senador, na qual foram discutidas as chapas eleitorais no estado.

Mauro Mendes, que deixou recentemente o governo do Mato Grosso, e seu sucessor, Otaviano Pivetta, só mencionaram Flávio nas redes na última quarta-feira, um dia após as críticas de Carlos Bolsonaro. Na ocasião, o senador cumpriu agenda no estado, com a presença de ambos.

“Hoje tivemos a honra de receber o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, candidato da direita e indicação direta do presidente Jair Bolsonaro, a quem sou e sempre serei fiel”, escreveu Mendes. Já Pivetta adotou tom mais discreto: “Recebendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro em Mato Grosso. Seja bem-vindo ao nosso estado”.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel publicou, no início do mês, uma imagem de encontro com Flávio, durante agenda voltada ao agronegócio. Na ocasião, o senador apresentou diretrizes para o setor, sendo citado como “próximo presidente do Brasil”. Também participaram do encontro o ex-governador Reinaldo Azambuja, atual dirigente do PL no estado.

Ibaneis Rocha e Wilson Lima, que deixaram recentemente os governos do Distrito Federal e do Amazonas, respectivamente, não fizeram qualquer menção a Flávio Bolsonaro em suas redes sociais desde o início do ano.