Conhecida como uma doença silenciosa, a hipertensão arterial atinge cerca de 30% da população adulta brasileira, de acordo com a pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) divulgada em 2023. Especialistas alertam para a importância do acompanhamento da condição que pode elevar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto.
“A hipertensão responde por aproximadamente metade do risco do AVC e 25% do risco de infarto na população”, explica o cardiologista Ferdinand Maia. Já de acordo com o cardiologista Caio Guedes, a consequência da doença não controlada pode gerar várias complicações que podem trazer incapacidade física e gerar um custo para a sociedade como gastos médicos e o afastamento de pessoas jovens do mercado de trabalho. Ele destaca a importância do 26 de abril — data dedicada ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.

“O objetivo da campanha é conscientizar a população, de uma forma geral, sobre essa doença, que é uma doença tão prevalente. Estima-se que cerca de 30% da população mundial seja portadora de hipertensão arterial, e pelo impacto negativo que essa doença traz no contexto individual ou no socioeconômico”, afirmou Caio.
A ausência de sintomas na maioria dos casos contribui para uma falsa percepção de normalidade, fazendo com que pacientes acreditem estar com a pressão estabilizada, mesmo quando os níveis permanecem elevados. “A hipertensão é considerada uma doença silenciosa porque, de modo geral, não causa sintomas. Quando vem a ter sintomas, geralmente, já estão presentes complicações e lesões de órgãos”, explicou Ferdinand Maia.
Os especialistas explicam que o diagnóstico da hipertensão não deve ser baseado em uma única medição, já que a pressão arterial pode variar ao longo do dia. A recomendação é considerar níveis elevados de forma persistente, dentro de um contexto clínico mais amplo. Entre os principais fatores de risco estão hábitos de vida, como alimentação com excesso de sódio, sedentarismo, sobrepeso, obesidade e tabagismo, além de fatores genéticos e histórico familiar.
De acordo com Caio, além desses fatores, mulheres na pós-menopausa e pacientes que têm outras doenças cardiovasculares, como colesterol elevado, que já sofreram infarto possuem um maior risco de desenvolver a doença. Outro gatilho para a condição é o uso de outras substâncias, uso de substâncias exógenas, como algumas drogas recreativas, esteroides anabolizantes, o excesso de álcool.
“E muitas vezes, usando a medicação, o paciente pode permanecer com a pressão elevada, fazendo com que a doença permaneça trazendo as consequências negativas que ela traz. E isso vai ter um impacto no médio e longo prazo significativo”, pontuou Caio Guedes.
Segundo ele, mesmo quando o paciente consegue manter a pressão em níveis adequados sem o uso de medicamentos, isso não significa que a doença foi eliminada. O controle, nesses casos, está diretamente ligado às mudanças no estilo de vida, como perda de peso e prática regular de atividade física. Caso esses hábitos sejam abandonados, a tendência é que a pressão volte a se elevar, reforçando que a condição permanece e precisa de acompanhamento contínuo.
A prevenção e o controle da doença passam por mudanças no estilo de vida, com destaque para a prática regular de atividade física, pelo menos 150 minutos por semana, alimentação equilibrada e controle do peso. O tratamento também pode incluir medicação, de forma individualizada, compondo um conjunto de medidas que aumentam as chances de controle efetivo da pressão arterial.
Além do risco de infarto e AVC, a hipertensão não tratada pode levar a outras complicações, como doença renal crônica. Especialistas reforçam a importância do acompanhamento periódico, mesmo na ausência de sintomas, como forma de evitar a progressão silenciosa da doença e reduzir seus impactos individuais e socioeconômicos.
Hábitos para controlar a hipertensão
- Pratique atividade física regularmente
Pelo menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, bicicleta), além de treinos de força. - Mantenha o peso sob controle
Evite sobrepeso e obesidade, especialmente o acúmulo de gordura abdominal. - Adote uma alimentação equilibrada
Priorize alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e oleaginosas. - Reduza o consumo de sal
Evite excesso de sódio e alimentos ultraprocessados. - Evite o sedentarismo
Pequenas mudanças na rotina já ajudam, mas o ideal é manter frequência semanal. - Não fume
O tabagismo está associado ao aumento do risco cardiovascular. - Modere o consumo de álcool
O excesso pode contribuir para o aumento da pressão arterial. - Acompanhe a pressão regularmente
Mesmo sem sintomas, é importante medir a pressão periodicamente. - Siga corretamente o tratamento
Use medicação conforme orientação médica e associe com mudanças no estilo de vida.