BUSCAR
BUSCAR
Política

Allyson defende ‘passar o Estado a limpo’ e reorganizar gestão para enfrentar crise fiscal

Pré-candidato critica estrutura atual, questiona dados fiscais e propõe gestão técnica para enfrentar crise nas contas públicas
Redação
25/04/2026 | 05:35

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) defendeu uma ampla revisão na estrutura administrativa do Estado como ponto de partida para enfrentar a crise fiscal. Em entrevista ao “Especial Eleições 2026” da TV Agora RN, o ex-prefeito de Mossoró afirmou que o atual modelo de gestão precisa ser reorganizado com base em critérios técnicos e transparência.

A crítica foi feita no contexto da discussão sobre o baixo nível de investimentos do Estado em função do peso das despesas obrigatórias, especialmente com Previdência e pessoal. Allyson afirmou que, nos seus cálculos, apenas 1% da receita do Estado está disponível para investimentos. O dado, segundo ele, considera apenas a receita com impostos e transferências constitucionais, retirando da conta recursos de empréstimos.

Allyson Bezerra Ex Prefeito de Mossoró Pré Candidato ao GoveRio Grande do Norteo do RN (91)
Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) em entrevista à TV Agora RN - Foto: José Aldenir/Agora RN

“Investimento é aquilo que a gente arrecada e consegue destinar para investimento”, disse, ao destacar que financiamentos não deveriam inflar artificialmente os números. Oficialmente, o RN destina entre 3% ou 4% de sua receita para investimentos, mas entram no cálculo verbas oriundas de operações de crédito. Ainda assim, trata-se do menor índice de investimento entre os estados brasileiros.

“É lícito para os entes públicos (fazer empréstimo). Inclusive, os municípios fazem isso. Mossoró também fez isso, contraiu financiamento para poder executar obra. Mas é fundamental que todo gestor tenha a convicção de que ele tem que arrecadar. E a arrecadação da gestão tem que ser para custeio, tem que ser para folha e tem que ser para investimento”, declarou.

Na avaliação de Allyson Bezerra, a situação fiscal exige mudanças estruturais e não apenas ajustes pontuais. “Não dá mais para a gente estar tratando o Estado da forma que o Estado está hoje.”

Ao detalhar a proposta de reforma, Allyson enfatizou a necessidade de profissionalização da gestão pública, especialmente em áreas sensíveis como a Previdência e a administração de pessoal. Ao mencionar denúncias de Janeayre Souto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Direta (Sinsp), Allyson afirmou: “Uma pessoa que defende a classe dos servidores. E outro dia ela disse o seguinte: ‘olha, o Estado precisa ser passado a limpo.’”

Para o pré-candidato, há indícios de falhas de gestão que comprometem o equilíbrio das contas públicas. “Às vezes o dinheiro que está faltando para o policial, para o professor, para o servidor da saúde, está indo para o ralo com falta de gestão”, disse. A solução, segundo ele, passa pela adoção de critérios técnicos na ocupação de cargos estratégicos.

Allyson também defendeu uma revisão detalhada da folha de pagamento como parte do processo de reestruturação. “Tem que fazer uma análise criteriosa da folha”, afirmou, ao sugerir que a reorganização pode abrir espaço para recomposição salarial e novos investimentos.

Ao tratar da experiência de Mossoró, Allyson Bezerra afirmou também que conseguiu reduzir o peso da despesa com pessoal mesmo ampliando a estrutura de serviços. “Quando eu assumi a Prefeitura, nós tínhamos um orçamento de folha de 57%”, disse. Segundo ele, ao longo da gestão, foi possível reorganizar as contas sem interromper políticas públicas. Ele disse que isso foi possível graças a organização administrativa e aumento da capacidade de arrecadação, e não de cortes em serviços essenciais.

Previdência

Allyson reconheceu que a Previdência estadual é um dos principais fatores de pressão sobre as contas públicas. Em 2025, o sistema fechou com déficit superior a R$ 2 bilhões. O ex-prefeito de Mossoró admitiu que o tema é complexo, mas afirmou que é possível avançar com gestão adequada. Como exemplo, citou a experiência de Mossoró.

“De 2011 até 2020, todos os gestores que nos antecederam, desde que o Instituto foi criado, deixaram algum tipo de déficit. Assumi em 2021 com um déficit de R$ 233 milhões. Dados de 15 dias atrás: Mossoró com saldo, dinheiro na conta da Previdência, aplicado em Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco do Nordeste. R$ 226 milhões de reais de saldo na conta”, enfatizou o pré-candidato.

Segundo ele, o resultado foi alcançado com medidas técnicas e organização administrativa. “Primeiro, você precisa organizar a Previdência com gente técnica, capacitada. Não dá para colocar lá alguém só porque é amigo, porque alguém está indicando. Tem que colocar alguém lá com competência para fazer, organizar, fazer cálculo atuarial, conversar com o Ministério da Previdência sobre o que está acontecendo sobre os repasses. Tem que fazer uma análise criteriosa da folha”, declarou.

Ele também defendeu que o debate previdenciário no Estado deve envolver todos os Poderes, mas sem transferência de responsabilidades. “É claro que nós vamos chamar, dialogar, sentar na mesa para conversar. Agora com respeito, sem querer estar colocando na conta dos outros aquilo que é responsabilidade do Executivo”, ressaltou.