O deputado estadual Kleber Rodrigues (PP) declarou apoio à pré-candidatura da vereadora de Natal Samanda Alves (PT) ao Senado, como parte de um compromisso fechado com a governadora Fátima Bezerra (PT). Inicialmente, a própria Fátima seria candidata ao Senado, mas ela desistiu de ir para a disputa após sua renúncia ao governo ficar inviabilizada.
“Ela migrou o voto dela para Samanda, algo para mim super natural”, afirmou Kleber, em entrevista à TCM Mossoró.

Na mesma entrevista, Kleber também reafirmou o apoio à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União) ao Governo do Estado e à reeleição da senadora Zenaide Maia (PSD) — em 2026, serão duas vagas em disputa. “Eu gosto de escutar as pessoa, reunir vereadores, ex-vereadores, prefeitos e lideranças, para dizer qual posicionamento tomar”, disse, acrescentando que não toma decisões “de cima para baixo”.
O deputado vinculou o apoio a Samanda a relações políticas construídas ao longo do mandato e àquilo que define como gratidão a Fátima Bezerra. Citou conquistas para a região Agreste, de onde é oriundo, especialmente no acesso à água, ressaltando que, embora a região não tenha escassez hídrica, enfrenta dificuldade de distribuição, com cidades que passam “25 dias sem água e cinco dias com água”. Segundo ele, também foram viabilizados “mais de 200 quilômetros de estradas” para recuperação. Ele relatou que, diante desses avanços, considerou que não poderia agir de forma diferente no momento de definir seus apoios.
A reorganização política ocorre após sua recente mudança partidária. Kleber deixou o PSDB e retornou ao PP, partido presidido no RN pelo deputado federal João Maia. Ele já tinha sido filiado ao PP anteriormente e explicou que sua saída havia ocorrido por causa da inviabilidade eleitoral. Segundo ele, a permanência no partido poderia trazer obstáculos, o que motivou a migração temporária para o PSDB, onde foi acolhido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira.
Paralelamente à articulação política, Kleber reafirmou seu alinhamento com o pré-candidato ao Governo Allyson Bezerra, destacando a receptividade popular ao nome. “É impressionante o carinho do povo”, disse, ao relatar visita a uma feira em Monte Alegre, onde afirmou ter levado duas horas em um percurso que normalmente seria feito em 15 ou 20 minutos, devido à interação com a população. “Foram centenas de pessoas que pararam para abraçar e dizer ‘você vai ser meu governador’”, relatou.
Ele associou esse cenário ao desempenho em pesquisas, destacando especialmente o índice de rejeição. “Quem tem a menor rejeição é o pré-candidato Allyson Bezerra. Isso mostra que ele tem maior possibilidade de crescimento”, afirmou, acrescentando que candidatos com rejeição elevada enfrentam um limite de expansão eleitoral. Para ele, a combinação entre boa avaliação e baixa rejeição pode levar a uma vitória ainda no primeiro turno.
O deputado também abordou o papel da comunicação na política, defendendo a integração entre televisão, rádio e redes sociais. “As coisas têm que se casar”, disse, ao relatar que ouviu de eleitores tanto referências à presença de Allyson na TV quanto nas plataformas digitais. Segundo ele, esse conjunto de fatores contribui para consolidar a imagem de um candidato que “construiu algo diferente” em Mossoró, citando ações nas áreas de educação e obras estruturantes.
Ao avaliar o cenário estadual, Kleber afirmou que mantém relação respeitosa com o pré-candidato governista Cadu Xavier (PT), mas fez distinção entre relações pessoais e decisões políticas. “Você se dar bem com uma pessoa é uma coisa, escolher o futuro do Estado é outra”, disse.
Ele também fez uma análise do governo Fátima Bezerra sob o ponto de vista fiscal, comparando a gestão pública à lógica empresarial. “Eu sei que não posso gastar mais do que recebo”, afirmou, acrescentando que o Estado precisa de ajustes na máquina pública. Segundo ele, o aumento de despesas ao longo do tempo gera déficits que são transferidos para gestões futuras, o que exige medidas de equilíbrio e atração de investimentos privados. Ele defendeu o fortalecimento do turismo e a necessidade de aproximação com o setor empresarial, ressaltando que os empregos são gerados majoritariamente pela iniciativa privada.
Atuação parlamentar
Kleber também destacou sua trajetória política, iniciada com a primeira eleição para deputado estadual, em 2018, quando obteve 32.755 votos. Desde então, afirmou ter adotado uma estratégia de presença contínua nos municípios. “Eu fui andar, fui escutar, fui conhecer a realidade”, disse, associando essa prática à definição de sua principal bandeira, a inclusão social. Segundo ele, o foco no autismo surgiu a partir do contato direto com famílias. “Eu não fui olhar na internet, fui conhecer a realidade”, afirmou, destacando que aprovou 38 leis voltadas a pessoas com deficiência.
Entre essas iniciativas, citou a lei que extinguiu a necessidade de renovação periódica de laudos para pessoas com autismo, eliminando a exigência de consultas recorrentes com neuropediatras e psiquiatras infantis. Ele apontou que a medida reduziu custos para famílias que muitas vezes não conseguem arcar sequer com despesas básicas. Ainda assim, reconheceu que as dificuldades permanecem, envolvendo acesso a diagnóstico, terapias e profissionais especializados. Segundo ele, a maior sobrecarga recai sobre os municípios, sem apoio adequado das esferas federal e estadual. “Não existe hoje um apoio do governo federal, não existe hoje um apoio do governo estadual”, afirmou, defendendo a criação de um mecanismo de repasse específico para a área.
O parlamentar também mencionou a destinação de emendas para Mossoró, incluindo recursos para consultas com neuropediatras, apoio a associações e aquisição de cadeiras anfíbias para acessibilidade em praias, afirmando que “não tem um ano que Mossoró fique sem uma emenda” de seu mandato. Ele destacou ainda sua atuação institucional, tendo sido presidente de comissão relevante por dois anos, primeiro secretário e atualmente primeiro vice-presidente da Assembleia Legislativa, o que, segundo ele, facilita a tramitação de projetos. “Eu me dou bem com todo mundo”, afirmou, ao defender uma atuação distante de posições extremas.