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Política

“Lula está mais à direita do que antigamente”

Hertz Dias critica Luiz Inácio Lula da Silva e defende alternativa voltada à classe trabalhadora na disputa presidencial
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 16:14

O pré-candidato à Presidência pelo PSTU, Hertz Dias, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “muito mais à direita do que antigamente” e avaliou que o cenário eleitoral oferece poucas alternativas fora desse campo político. Segundo ele, sua candidatura busca ampliar o leque de opções para o eleitorado, especialmente entre trabalhadores. “Estamos divergindo da esquerda, mas não da classe trabalhadora”, disse.


Na avaliação do pré-candidato, tanto a chamada frente ampla quanto setores da burguesia não têm conseguido responder aos principais problemas sociais do país. Ele estendeu as críticas aos governos petistas, afirmando que o partido teria contribuído para um processo de “reprimarização” da economia. “O PT, Lula e a frente ampla governam com o centrão, com o agronegócio, com os banqueiros, com a burguesia. Esse governo está entrando para a história como o que mais transferiu verbas públicas para o agronegócio”, afirmou.

Hertz Dias Copia
Hertz Dias é rapper do grupo Gíria Vermelha e pré-candidato à Presidência pelo PSTU Foto: PSTU/Reprodução


A partir desse diagnóstico, Dias defende a implementação de um governo de transição voltado à construção de uma “democracia operária”, modelo em que, segundo ele, os trabalhadores passariam a controlar as riquezas que produzem. Sua plataforma política também enfatiza a unidade entre diferentes segmentos sociais, incluindo trabalhadores urbanos, população negra, mulheres, pessoas LGBTQIA+, povos originários, quilombolas e comunidades ribeirinhas.


Professor de história da rede pública, rapper do grupo Gíria Vermelha e militante do movimento negro, Hertz Dias reúne trajetória marcada pela atuação cultural e política. Ele já integrou uma chapa presidencial em 2018, como candidato a vice ao lado de Vera Lúcia. Natural de São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís (MA), iniciou sua vida artística ainda nos anos 1980 como dançarino de breaking e, em 1988, escreveu seu primeiro rap, “Menor Abandonado”.


Dias relata que abandonou os estudos na adolescência, mas retomou a formação após contato com a música “Voz Ativa”, dos Racionais MC’s, que o levou a buscar referências sobre Malcolm X. “Anos depois fui compreender que havia abandonado a escola porque era um ambiente extremamente racista. A partir dessa música, decidi voltar a estudar”, afirmou. Ele concluiu o ensino médio por meio de supletivo, ingressou na universidade aos 27 anos e se formou em história pela Universidade Federal do Maranhão, onde também cursou mestrado em educação.


Durante esse período, aproximou-se do PSTU e passou a atuar na organização partidária, incluindo participação na Secretaria de Negros e Negras da legenda. Segundo ele, o espaço busca formular políticas e debates raciais a partir de uma perspectiva marxista.


No campo internacional, o pré-candidato afirmou que apenas a união dos trabalhadores poderia enfrentar o que chama de projeto imperialista dos Estados Unidos, citando o ex-presidente Donald Trump como referência. “Somos uma organização anti-imperialista. A América Latina não precisa de Trump”, disse. Ele também criticou tanto governos de direita quanto gestões petistas, que, segundo sua análise, teriam contribuído para um processo de “recolonização” do país.


Dias sustenta que o Brasil vive um cenário de desindustrialização e dependência econômica, com predominância da produção de commodities. “Estamos passando por um processo de desindustrialização e recolonização. Nosso país passou a ser um grande produtor de commodities”, afirmou, ao mencionar dados do Censo de 2022 sobre a predominância da população urbana.


O pré-candidato também questionou o funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, afirmando que há limitações à participação de partidos menores. “Não é a festa da democracia, é a ditadura da burguesia. A democracia burguesa é a ditadura do capital”, disse. Segundo ele, apesar de o PSTU ser um partido legalizado desde 1994, sua candidatura não tem visibilidade equivalente à de outros concorrentes. “Eles já escolheram quais são os candidatos deles, que são os candidatos da burguesia”, afirmou.


Como estratégia para ampliar o alcance da campanha, Hertz Dias tem investido em agendas presenciais e no uso das redes sociais, buscando se tornar mais conhecido do eleitorado e fortalecer a mobilização em torno de sua proposta política.