BUSCAR
BUSCAR
Greve

Greve atinge mais de 50 universidades federais

Greve de servidores técnico-administrativos atinge mais de 50 instituições, incluindo UFRJ e UFPE, e pressiona serviços no ensino superior
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 14:47

A greve dos servidores técnico-administrativos em instituições federais de ensino superior já alcança pelo menos 53 universidades em diferentes regiões do País. O movimento, que tem se intensificado nas últimas semanas, envolve paralisações totais ou parciais e impacta diretamente serviços administrativos, atividades de apoio e o funcionamento de setores essenciais dentro das instituições.


De acordo com entidades representativas da categoria, a mobilização ocorre em resposta ao não cumprimento integral de um acordo firmado com o governo federal em 2024. Os trabalhadores reivindicam a implementação de medidas acordadas anteriormente, incluindo reestruturação de carreira e recomposição salarial.

UFPE fachada capa 2 1024x683
Hospital ligado à UFPE registra impactos com redução de atendimentos durante a greve dos servidores técnico-administrativos Foto: Reprodução


As paralisações não afetam diretamente as aulas, mas têm provocado impactos indiretos no cotidiano acadêmico. Entre os serviços prejudicados estão bibliotecas, restaurantes universitários e atividades administrativas essenciais para o funcionamento das instituições. Em alguns casos, também há reflexos no atendimento hospitalar vinculado a universidades.


Hospitais universitários, como os ligados à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), registram redução no ritmo de atendimento. Consultas eletivas têm sido remarcadas e cirurgias não emergenciais enfrentam atrasos, evidenciando os efeitos da greve em áreas que vão além do ambiente acadêmico.


O movimento também atinge institutos federais e outras unidades vinculadas ao sistema de ensino superior público. Em estados como o Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) já registra adesão significativa, com setores operando de forma reduzida. Situação semelhante ocorre em universidades do Nordeste, incluindo instituições no Rio Grande do Norte.


A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) afirma que a paralisação é uma forma de pressionar o governo a cumprir os compromissos firmados. A entidade destaca que a falta de avanços nas negociações tem gerado insatisfação entre os servidores.


Entre as principais demandas estão a recomposição de perdas salariais acumuladas ao longo dos anos e a valorização das carreiras. A categoria também reivindica melhorias nas condições de trabalho e revisão de pontos do plano de carreira que, segundo os sindicatos, não foram implementados conforme o previsto.


Por outro lado, o governo federal sustenta que parte das reivindicações já está em fase de implementação. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) afirma que negociações realizadas em 2024 resultaram em avanços, incluindo reajustes salariais e medidas estruturais para a carreira dos servidores.


Ainda assim, representantes dos trabalhadores argumentam que os avanços são insuficientes diante das demandas acumuladas. O impasse tem mantido o movimento ativo, sem previsão de encerramento no curto prazo.


A ampliação da greve reforça o cenário de tensão entre servidores e governo, com impactos que se estendem por diversas áreas do ensino superior público. Enquanto as negociações seguem em andamento, estudantes, professores e usuários dos serviços universitários enfrentam as consequências da paralisação.