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Música

Música pode ajudar na memória e no humor, aponta pesquisador

Baseado em estudos de Neurociência, Daniel J. Levitin analisa como a música impacta funções cognitivas, emoções e pode auxiliar em tratamentos de saúde
Por O Correio de Hoje
22/04/2026 | 14:08

Relação entre música, cérebro e saúde é o foco do livro A Cura Pela Música, do pesquisador Daniel J. Levitin, que reúne evidências científicas para discutir como sons podem afetar a memória, a atenção e o estado emocional. A obra parte de estudos em neurociência para explicar de que forma a música é processada pelo cérebro e como pode influenciar diferentes aspectos do comportamento humano.

Segundo o autor, ouvir música não se limita a uma experiência sensorial simples. O processo envolve diversas áreas do cérebro simultaneamente, incluindo regiões relacionadas à audição, ao movimento, às emoções, à memória e ao sistema de recompensa. Esse funcionamento integrado ajuda a explicar por que a música pode provocar respostas tão intensas e duradouras.

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A Cura Pela Música explora como sons influenciam o cérebro, a memória e as emoções, destacando o potencial terapêutico da música na saúde mental Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje

Levitin argumenta que a música pode desempenhar um papel que vai além do entretenimento, embora reconheça que o campo ainda carece de aprofundamento científico em larga escala. Ele ressalta que a eficácia da música como ferramenta terapêutica ainda apresenta lacunas, mas destaca que há evidências consistentes sobre sua capacidade de ativar múltiplos sistemas cerebrais.

Um dos exemplos citados pelo pesquisador é o caso do cantor Tony Bennett, que, mesmo em estágio avançado de Alzheimer, mantinha a capacidade de cantar músicas completas sem esquecer as letras. O episódio ilustra como a memória musical pode permanecer preservada mesmo quando outras funções cognitivas estão comprometidas.

De acordo com o autor, isso ocorre porque a música combina elementos como ritmo, melodia e rima, que funcionam como estruturas de apoio para a memória. Esses componentes atuam de forma integrada, permitindo que o cérebro recupere informações com mais facilidade, mesmo diante de falhas em outros sistemas de lembrança.

Esse mesmo mecanismo também pode ser aplicado no tratamento de algumas condições neurológicas. O livro aponta que a música pode auxiliar pacientes em recuperação de AVC (acidente vascular cerebral) ou com doenças como Parkinson, contribuindo para a reorganização de funções cerebrais.

Outro aspecto abordado é a relação entre música e neuroplasticidade, capacidade do cérebro de se adaptar a novas experiências. Ao estimular diferentes áreas cerebrais, a música pode favorecer a formação de novas conexões neurais, auxiliando na recuperação de funções e no aprendizado.

Levitin também discute o impacto da música sobre neurotransmissores. Segundo ele, a exposição a determinados sons pode influenciar a liberação de substâncias como dopamina, associada ao prazer, serotonina, ligada ao bem-estar, e ocitocina, relacionada ao vínculo social.

A obra destaca ainda o potencial da música no tratamento de transtornos psiquiátricos. Há indicações de que ela pode contribuir para a organização do pensamento e a regulação emocional em condições como a esquizofrenia. Além disso, a musicoterapia é apontada como uma prática capaz de reduzir sintomas de ansiedade e melhorar o humor.

No entanto, o livro também alerta para possíveis efeitos negativos. A música pode atuar como gatilho em alguns casos, especialmente em pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), podendo intensificar estados de alerta ou ansiedade.

Outro ponto levantado é o impacto da música em ambientes públicos. Sons indesejados podem provocar reações adversas, sendo percebidos como poluição sonora e ativando áreas do cérebro relacionadas ao medo e ao estresse.