O ex-ala Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, após ser levado a um hospital em parada cardiorrespiratória. O motivo do mal-estar não foi divulgado. O atleta enfrentava, há cerca de 15 anos, um câncer no cérebro e vinha com a saúde debilitada, tendo se ausentado recentemente de uma homenagem no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil.
Referência do basquete brasileiro e figura de projeção internacional, Oscar consolidou uma trajetória marcada por longevidade e desempenho. Até 2024, era o maior pontuador da história da modalidade, com 49.737 pontos em 1.615 partidas, marca posteriormente superada por LeBron James. O apelido “Mão Santa” refletia a precisão nos arremessos de longa distância, resultado de rotina intensa de treinamento ao longo da carreira.

Natural de Natal, iniciou a trajetória esportiva após abandonar o futebol na infância. Atuou por clubes no Brasil e no exterior, incluindo passagens por equipes na Itália e na Espanha, além de Flamengo, onde encerrou a carreira aos 45 anos, em 2003. Conquistou títulos nacionais e um campeonato mundial de clubes pelo Sírio, além de atuar como dirigente após a aposentadoria.
O ponto mais emblemático de sua carreira ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Na final contra os Estados Unidos, marcou 46 pontos e liderou a vitória brasileira por 120 a 115, em um resultado considerado histórico para a modalidade. A atuação ocorreu em um período inicial da adoção da linha de três pontos, quando os arremessos de longa distância ainda não eram amplamente explorados.
A carreira internacional também foi marcada por uma decisão relevante. Em 1984, após ser selecionado no Draft da NBA pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets), optou por não atuar na liga americana para manter sua participação na seleção brasileira, devido às regras vigentes à época. A escolha direcionou sua trajetória ao basquete europeu.
Pela seleção, disputou cinco edições dos Jogos Olímpicos e permanece como o maior cestinha da história da competição, com 1.093 pontos. Ao longo de 326 partidas, somou 7.693 pontos com a camisa brasileira e conquistou medalhas em competições como Mundial, Jogos Pan-Americanos, AmeriCup e Sul-Americano.
O reconhecimento extrapolou fronteiras. Mesmo sem passagem pela NBA, foi incluído nos Halls da Fama da Fiba e do basquete dos Estados Unidos, evidenciando o alcance de sua carreira. Em 2017, o Brooklyn Nets realizou homenagem ao jogador, com a entrega de uma camisa personalizada com o número 14.
A morte de Oscar encerra a trajetória de um dos principais nomes do esporte brasileiro no século XX, cuja atuação contribuiu para projetar o país no cenário internacional do basquete.