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Careca

Internet impulsiona mudança na forma como homens lidam com a calvície

Antes associada à insegurança, calvície passa a ser vista como opção estética apoiada por redes sociais
Por O Correio de Hoje
07/04/2026 | 14:09

Durante décadas, a calvície masculina foi tratada como um problema a ser escondido ou combatido. Soluções como medicamentos, implantes capilares e produtos estéticos dominaram o imaginário coletivo como únicas alternativas possíveis. No entanto, um movimento recente vem alterando esse cenário: cada vez mais homens têm recorrido à internet para repensar a relação com a própria imagem e, em muitos casos, optar por assumir a careca.

A transformação não acontece de forma isolada. Plataformas digitais, fóruns online e redes sociais têm desempenhado papel central na construção dessa nova narrativa. Relatos pessoais, vídeos de transformação e discussões abertas sobre autoestima têm incentivado homens a abandonar tratamentos ou esconderijos e adotar o visual raspado como escolha consciente.

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Movimento nas redes incentiva homens a assumir a calvície como escolha estética e não mais como problema a ser escondido - Foto: Freepik

A mudança passa também por uma revisão de valores estéticos. Em vez de associar a queda de cabelo à perda de juventude ou atratividade, muitos homens passaram a enxergar a careca como um estilo possível — e até desejável. Esse reposicionamento é alimentado por conteúdos que mostram experiências reais, com antes e depois, relatos emocionais e discussões sobre insegurança, aceitação e identidade.

Nos ambientes digitais, a troca de experiências tem sido decisiva. Homens que enfrentam a calvície encontram apoio em comunidades que compartilham dúvidas, inseguranças e decisões semelhantes. Esse contato reduz o isolamento e contribui para que a decisão de raspar o cabelo seja vista com mais naturalidade.

Além disso, influenciadores digitais têm reforçado esse movimento ao expor suas próprias trajetórias. Ao compartilhar o processo de aceitação, eles ajudam a normalizar a experiência e a ampliar o alcance da discussão. A estética da cabeça raspada passa, assim, a circular como tendência — e não apenas como consequência inevitável.

Especialistas apontam que a relação com a aparência está diretamente ligada à autoestima. Nesse sentido, a mudança de abordagem em relação à calvície pode ter efeitos positivos. Ao assumir o controle sobre a própria imagem, muitos homens relatam sensação de liberdade e alívio em relação à pressão estética.

A decisão de abandonar tratamentos ou disfarces, por exemplo, pode representar o fim de um ciclo de frustração. Em vez de buscar soluções contínuas e nem sempre eficazes, a escolha pela careca surge como forma de aceitação e autonomia.

A transição para a careca, impulsionada pela internet, vai além da aparência. Trata-se também de um processo de construção de identidade. Ao optar por raspar o cabelo, o homem redefine sua relação com padrões sociais e assume uma posição ativa diante da própria imagem.

Esse movimento reflete uma mudança mais ampla no comportamento masculino, marcada por maior abertura para discutir temas como insegurança, autoestima e autocuidado. A calvície, antes vista como um problema a ser resolvido, passa a ser incorporada como parte da identidade — e, em muitos casos, como símbolo de confiança.

A crescente presença do tema nas redes sociais indica que a transformação ainda está em curso. Ao ampliar o debate e oferecer novas referências, a internet contribui para que a calvície deixe de ser um tabu e passe a ser tratada com naturalidade.

Se antes a pergunta era “como evitar a queda de cabelo?”, agora muitos homens passam a considerar outra possibilidade: “por que não assumir?”.