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Entretenimento

Zico vira cinema e defende Neymar

Documentário “O Samurai de Quintino” chega aos cinemas em 30 de abril e reúne relatos sobre carreira, família e bastidores do futebol
Por O Correio de Hoje
31/03/2026 | 14:33

O ex-jogador Zico, maior ídolo do Flamengo, afirmou que o documentário “O Samurai de Quintino”, com estreia marcada para 30 de abril, busca ir além dos gols e revisitar momentos de superação, dificuldades e relações pessoais que marcaram sua trajetória no futebol. As declarações foram dadas no episódio de estreia da nova temporada do videocast “Toca e Passa”, do jornal O Globo.

Segundo o ex-camisa 10, o diferencial do filme está no ambiente das gravações e na participação de pessoas que tiveram papel relevante em sua vida. “O torcedor, lógico, quer relembrar os gols, mas não só isso. É a minha trajetória, são os momentos de felicidade, de dificuldade, de superação e como encarei isso”, afirmou.

Zico
Zico terá documentário lançado nos cinemas no fim de abril e diz que Neymar precisa jogar para ir à copa - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Zico destacou ainda que as cenas com familiares estão entre as mais marcantes do documentário. “Gravar com a família é complicado. A gente vai envelhecendo com os netos, com os filhos e as noras, com a Sandra (mulher). Tudo isso amolece o coração”, disse, acrescentando que experiências vividas por seus irmãos durante o período da ditadura influenciaram sua formação pessoal e profissional.

O ex-jogador também abordou sua relação com o futebol japonês, onde é ídolo e atua atualmente como conselheiro do Kashima Antlers. Ele afirmou que participa de atividades institucionais, palestras e acompanha treinamentos do time principal.

Ao comentar sua trajetória na seleção brasileira, Zico afirmou que não se incomoda com críticas relacionadas ao desempenho em Copas do Mundo, especialmente após o pênalti perdido contra a França em 1986. “Não errei de propósito e não fui responsável por uma derrota. O jogo terminou empatado. Cometi meu erro, e está tudo bem”, declarou.

Ele também mencionou a importância do suporte emocional, destacando conversas com uma irmã psicóloga como forma de lidar com a pressão.

Sobre o cenário atual do futebol brasileiro, Zico criticou a ausência de jogadores com características de armador clássico. “Você não tem um jogador que vem de trás, chega na área, faz gol. Não tem hoje”, afirmou, apontando que a base tem priorizado atletas de velocidade pelas pontas em detrimento dos meias organizadores.

Ao analisar a possível convocação de Neymar para a próxima Copa do Mundo, Zico condicionou a presença do jogador a uma sequência consistente de partidas. “Ninguém discute o talento. Ele é o melhor jogador brasileiro dos últimos tempos, é um gênio. Agora, tem que saber se isso vai ser possível”, afirmou.

Ele ressaltou que a falta de continuidade gera insegurança na comissão técnica. “Se ele conseguisse jogar oito ou dez jogos seguidos, daria mais confiança”, disse.

Sobre Lucas Paquetá, Zico avaliou que a adaptação de função pode dificultar sua presença na seleção. “Jogando lá no canto, não sei. A concorrência na seleção é muito grande”, afirmou, destacando que o jogador teve melhor rendimento atuando como meia central no início da carreira.

Zico também comentou a organização de seleções como França e Espanha, que, segundo ele, estão ligeiramente à frente do Brasil devido à continuidade de trabalho e estrutura.

Apesar disso, afirmou não ver uma equipe amplamente superior no cenário internacional. “Ficaria pessimista se tivesse alguma seleção no mundo totalmente acima. Mas vejo que está tudo igual”, declarou.

Atualmente atuando como embaixador do Flamengo, Zico explicou que sua função está ligada à promoção institucional do clube, sem participação em decisões do departamento de futebol. Ele também descartou retornar a cargos executivos. “Não tenho mais vontade nenhuma (de assumir um cargo). Acho que contribuí bem”, afirmou.

Ao final, reforçou a relação com o público e o reconhecimento que recebe dos torcedores. “Esse carinho que as pessoas têm, Deus te dá, e você não pode jogar fora”, concluiu.