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Conflito

EUA avaliam operações terrestres no Irã em meio à escalada no Golfo e ampliam presença militar

Pentágono prepara cenários de incursões limitadas enquanto Casa Branca equilibra pressão militar e riscos políticos
Por O Correio de Hoje
30/03/2026 | 11:07

A intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio eleva o grau de tensão com o Irã e amplia o risco de um novo estágio no conflito no Golfo Pérsico. Autoridades americanas indicaram que o Pentágono prepara cenários para possíveis operações terrestres em território iraniano, caso o presidente Donald Trump decida intensificar a ofensiva.

Segundo informações reveladas ao jornal The Washington Post, os planos em análise não envolvem uma invasão em larga escala, mas sim incursões pontuais conduzidas por forças de Operações Especiais e unidades de infantaria. As ações poderiam se estender por semanas ou meses, a depender dos objetivos estratégicos definidos.

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A intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio eleva o grau de tensão com o Irã - Foto: Marinha dos Estados Unidos

Entre os alvos potenciais está a Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo iraniano, além de áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz, consideradas críticas para o fluxo global de energia. O objetivo seria neutralizar sistemas militares capazes de atingir navios comerciais e militares na região.

A eventual operação expõe tropas americanas a riscos relevantes, incluindo ataques com drones, mísseis, fogo terrestre e explosivos improvisados. Nas últimas semanas, o conflito já resultou em baixas significativas: 13 militares americanos morreram em diferentes episódios, enquanto mais de 300 ficaram feridos em ataques retaliatórios iranianos em bases distribuídas pelo Oriente Médio.

O reforço militar inclui o envio da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, com cerca de 2.200 integrantes, para a região. Embora a unidade tenha capacidade para conduzir operações anfíbias e de assalto, enfrenta limitações logísticas para sustentar ações prolongadas sem apoio adicional, segundo fontes militares.

No plano político, a Casa Branca mantém discurso ambíguo. Enquanto Trump sinaliza abertura para negociações, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou que o presidente está “preparado para desencadear o inferno” caso Teerã não abandone seu programa nuclear e cesse ameaças aos EUA e aliados. Ao mesmo tempo, ressaltou que a elaboração de cenários pelo Pentágono não implica decisão tomada.

A escalada militar ocorre em um contexto de resistência interna. Pesquisa conduzida pela Associated Press em parceria com o National Opinion Research Center da Universidade de Chicago indica que 62% dos americanos se opõem ao envio de tropas terrestres ao Irã, enquanto apenas 12% apoiam a medida.

Especialistas alertam para os riscos de ocupação territorial prolongada. A concentração de tropas em áreas restritas, como a Ilha de Kharg, poderia torná-las alvos vulneráveis a ataques iranianos. “É preciso dar cobertura às pessoas na Ilha de Kharg. Essa é a tarefa difícil. Conquistá-la não é difícil. Proteger as tropas depois que elas chegam lá, sim”, afirmou um ex-oficial de Defesa ouvido pelo Post.

Analistas também apontam que alternativas menos arriscadas estariam sendo consideradas, como ações focadas na destruição de instalações militares costeiras que ameaçam a navegação no Estreito de Ormuz, atualmente sob pressão de bloqueios indiretos.

A decisão final dependerá do cálculo entre ganhos estratégicos e custos políticos. A poucos meses das eleições legislativas nos Estados Unidos, uma escalada militar mais ampla pode afetar o apoio interno ao governo, ao mesmo tempo em que redefine o equilíbrio geopolítico em uma das regiões mais sensíveis para o mercado global de energia.