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Saúde

Água com gás pode desgastar os dentes

Principal preocupação dos especialistas está relacionada à acidez
Redação
27/03/2026 | 17:16

Leve, refrescante e cada vez mais presente na rotina de muitas pessoas, a água com gás conquistou espaço como alternativa aos refrigerantes e outras bebidas açucaradas. No entanto, à medida que o consumo cresce, também aumentam as dúvidas sobre seus possíveis efeitos na saúde bucal — especialmente no que diz respeito ao desgaste dos dentes.

A principal preocupação dos especialistas está relacionada à acidez. A água com gás contém dióxido de carbono dissolvido, que forma o chamado ácido carbônico. Embora seja uma substância relativamente fraca, ela pode, ao longo do tempo, contribuir para o desgaste do esmalte dentário, a camada protetora dos dentes.

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Especialistas explicam quando a bebida pode prejudicar os dentes e como reduzir danos - Foto: Freepik

Ainda assim, dentistas ressaltam que a água com gás pura, sem adição de açúcar ou aromatizantes, é considerada segura para a maioria das pessoas quando consumida com moderação. O risco maior aparece quando a bebida recebe ingredientes adicionais.

Versões saborizadas, por exemplo, costumam conter ácidos como o cítrico ou fosfórico, além de açúcares ou adoçantes. Esses elementos aumentam significativamente o potencial de erosão dentária. Em alguns casos, a acidez dessas bebidas pode se aproximar ou até superar a de refrigerantes, tornando-se mais agressiva ao esmalte.

Outro ponto importante é a forma de consumo. Beber água com gás ao longo de todo o dia, em pequenos goles frequentes, prolonga o contato do ácido com os dentes, elevando o risco de desgaste. Já o consumo durante as refeições tende a ser menos prejudicial, já que a produção de saliva aumenta nesse momento.

A saliva, aliás, desempenha um papel essencial na proteção da saúde bucal. Ela ajuda a neutralizar ácidos e a remineralizar o esmalte dentário. Por isso, pessoas com produção reduzida de saliva — como idosos ou pacientes com determinadas condições de saúde — podem estar mais suscetíveis aos efeitos de bebidas ácidas.

Há também fatores individuais que influenciam o impacto da água com gás nos dentes. Condições como diabetes, síndrome de Sjögren ou o uso de certos medicamentos podem alterar o equilíbrio da boca, aumentando a vulnerabilidade à erosão dentária.

Apesar das preocupações, especialistas reforçam que a água com gás pode ser uma opção mais saudável do que bebidas açucaradas, desde que consumida com atenção. “O problema não é a água com gás em si, mas o contexto em que ela é consumida”, apontam profissionais da área.

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir os riscos. Evitar “bochechar” a bebida na boca, preferir consumi-la junto às refeições e usar canudo são estratégias que diminuem o contato direto com os dentes. Além disso, beber água natural após o consumo pode ajudar a remover resíduos ácidos.

Outro cuidado importante é aguardar antes de escovar os dentes. Como o esmalte pode ficar temporariamente mais sensível após a exposição ao ácido, o ideal é esperar cerca de 30 minutos antes da escovação, evitando danos adicionais.

Para quem consome versões saborizadas com frequência, a recomendação é redobrar a atenção e, se possível, limitar o consumo. Em casos de sensibilidade dentária ou sinais de desgaste, a orientação é procurar um dentista para avaliação.

No fim das contas, a água com gás não precisa ser vista como vilã. Quando consumida com moderação e sem aditivos, ela pode fazer parte de uma rotina equilibrada. O segredo está nos hábitos: mais do que a bebida em si, é a forma de consumo que define seu impacto na saúde dos dentes.