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Faturamento

Indústria de transformação cresce em janeiro com ritmo lento

Em relação a janeiro do ano passado, o faturamento recuou 9,7%
Redação
12/03/2026 | 05:16

O faturamento real da indústria de transformação brasileira avançou 2,3% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, segundo os Indicadores Industriais divulgados segunda-feira 9, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar da alta na margem, o resultado não foi suficiente para reverter o cenário de enfraquecimento do setor. Em relação a janeiro do ano passado, o faturamento recuou 9,7%.

Outros indicadores industriais apresentaram comportamento semelhante, com melhora na passagem mensal, mas desempenho ainda inferior ao observado há um ano. As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,5% entre dezembro e janeiro, embora o indicador permaneça em trajetória de queda iniciada no segundo semestre de 2025. Na comparação interanual, houve recuo de 2,6%.

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Apesar do faturamento ter se elevado em 2,3%, na comparação com o ano passado o resultado chegou a 9,7% - Foto: CNI/Reprodução

O emprego na indústria de transformação registrou crescimento de 0,5% no primeiro mês de 2026, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas. Ainda assim, o nível de ocupação permanece ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, com retração de 0,2%.

A utilização da capacidade instalada (UCI) ficou praticamente estável, passando de 77,4% em dezembro para 77,6% em janeiro, alta de 0,2 ponto percentual. Mesmo assim, o indicador permanece 1 ponto percentual abaixo do nível observado em janeiro de 2025.

De acordo com Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, fatores que levaram ao desaquecimento do setor ao longo de 2025 continuam afetando a atividade. “Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 permanecem penalizando o setor, sobretudo os juros elevados, o alto custo do crédito, a desaceleração da demanda e a forte entrada de bens de consumo importados”, afirma.

Nesse contexto, a entidade defende o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. Segundo Nocko, mesmo com eventuais cortes, o patamar da taxa Selic deverá permanecer elevado por algum tempo, o que tende a manter restrições sobre a atividade econômica, especialmente no setor industrial.

Entre os indicadores de renda, a massa salarial real da indústria de transformação avançou 1% em janeiro frente a dezembro, iniciando o ano em recuperação após desempenho majoritariamente negativo na segunda metade de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, houve alta de 0,4%.

Já o rendimento médio real dos trabalhadores do setor permaneceu praticamente estável na passagem mensal, com variação de -0,1%. Em relação a janeiro de 2025, o indicador apresentou crescimento de 0,7%.