Indicado ao Oscar por sua atuação em O Agente Secreto, o ator Wagner Moura afirmou, em entrevista ao jornal espanhol El País, que se sente apreensivo diante do atual contexto político e social nos Estados Unidos.
Reconhecido internacionalmente por trabalhos no cinema e na televisão, como a série Narcos, Moura declarou que enxerga paralelos entre os acontecimentos recentes no Brasil e nos EUA. “É óbvio o quanto as histórias recentes do Brasil e dos EUA são semelhantes”, afirmou.

“Tenho medo de encontrar o ICE”
Ao comentar o clima de tensão política no país norte-americano, o ator mencionou o filme Civil War, dirigido por Alex Garland, no qual interpretou um jornalista em meio a um cenário fictício de guerra civil. Segundo ele, situações antes vistas como distantes hoje parecem mais plausíveis.
“Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de encontrar o ICE”, declarou, em referência ao serviço de imigração dos Estados Unidos.
Moura afirmou que sempre teve postura firme diante de injustiças, mas reconheceu que o momento atual impõe reflexões. “Eu digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou autoritarismo diante dos meus olhos”, disse. Em seguida, completou: “E agora eu não sei se poderia fazer isso, porque esses canalhas podem te matar, como a gente já viu”.
O ator também relatou que, segundo pessoas próximas, muitos imigrantes latinos vivem sob medo constante. “Eu conheço muitos latinos que estão escondidos em casa, sem levar os filhos para a escola. Estamos vivendo tempos muito tristes”, afirmou.
Comparações com o Brasil
Durante a entrevista, Moura voltou a traçar comparações entre os dois países. Para ele, o Brasil já superou o período do governo de Jair Bolsonaro, enquanto os Estados Unidos enfrentam um momento de instabilidade.
“Pelo menos nós já nos livramos do Bolsonaro”, declarou.
O ator também elogiou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de pressões externas envolvendo o ex-presidente brasileiro. “Eu tenho muito orgulho de como o Lula, quando o presidente dos Estados Unidos Donald Trump pressionou para libertar Bolsonaro, foi habilidoso politicamente”, afirmou.
Na avaliação de Moura, a reação brasileira a tentativas de ruptura institucional tem relação com a memória da ditadura militar, algo que, segundo ele, não existe com a mesma intensidade na sociedade norte-americana. “Os americanos nunca sofreram uma ditadura e, por isso, não carregam esse medo”, concluiu.