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Análise
Volta da inflação preocupa indústria, na avaliação de economista da Fiern
Segundo Sandra Cavalcanti, a crise gerada pela pandemia está na raiz do problema, já que “todas as cadeias de produção pararam” e que as commodities no mercado internacional, como o petróleo, o minério de ferro e a soja pressionaram os preços
Redação
14/07/2021 | 11:01

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) está preocupada com os seus reflexos da volta da inflação na economia.

Segundo a economista do Sistema, Sandra Cavalcanti, a crise gerada pela pandemia está na raiz do problema, já que “todas as cadeias de produção pararam”.

Na esteira disso veio a falta de insumos e matérias-primas para as cadeias produtivas, o que fez com que os preços disparassem, acrescenta a economista. Ela explica que as commodities no mercado internacional, o petróleo, o minério de ferro, a soja, tudo isso pressionou a inflação.

Outro fator que contribuiu para a alta dos preços internos, segundo a economista, foi a desvalorização do real em relação ao dólar nos últimos meses, que, por si só já tornam os preços das importações mais elevados, contribuindo para o aumento da inflação.

De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 6,07% para 6,11%.
Segundo o BC, para 2022, a estimativa de inflação é de 3,75% e para o biênio 2023/2024 de 3,25% e 3,16%, respectivamente.

A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

“Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%. No mês passado, a inflação desacelerou para 0,53%, depois de chegar a 0,83% em maio. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses”, explica Sandra Cavalcanti.

A economista diz que, na prática, o custo do dinheiro dos bancos que vão emprestar às empresas e às pessoas, os de financiamentos, ficará mais caro.

“Então, se a empresa necessita de empréstimo para capital de giro ou investimento, ou se você quer comprar a prazo, o dinheiro também vai ficar mais caro e o consumo pode ser freado, assim como a atividade econômica em geral”, afirma.

Explica que não é só os juros ameaçam o crescimento, há outros fatores que indicam que essa recuperação pode se tornar mais lenta.

“Há por um lado a reação da economia, com a vacinação em andamento, mais otimismo; mas também há para as empresas fatores negativos que são ameaçadores, por exemplo, o preço das matérias-primas, em desaceleração, porém ainda muito alto”, diz.

“Tem também o auxílio emergencial com valor inferior ao do ano passado e disponível para um menor número de pessoas, o que limita a capacidade de consumo da população em meio à crise”, observa Sandra.

Combustíveis

Outros fatores limitantes à atividade das empresas, segundo ela, foram o aumento do custo dos combustíveis, que estão atrelados aos preços petróleo em alta no mercado internacional, os da tarifa de energia elétrica, que entra em bandeira vermelha por conta da crise hídrica e há, ainda a demora e polêmicas em torno da reforma tributária, que os agentes já tinham como certa há uns meses.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 4,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic encerre 2021 em 6,63% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é que a taxa básica suba para 7% ao ano. E tanto para 2023 como para 2024, a previsão é 6,50% ao ano.

Sandra lembra que o Copom aumenta a taxa básica de juros com a finalidade de conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. “Desse modo, taxas mais altas podem dificultar a recuperação da economia”.

De acordo com a economista, quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

“Este foi um dos fatores que fizeram a economia reagir rapidamente à primeira onda da pandemia. Mas entre janeiro e junho de 2021, a inflação oficial, medida pelo IPCA e acumulada em 12 meses, saltou de 4,56% para 8,55%; e os juros do Banco Central, de 2% para 4,25% ao ano. Portanto, os juros na ponta, que os bancos vão cobrar dos tomadores de empréstimos também vão aumentar”, acrescenta.

Quanto ao PIB e o câmbio, as instituições financeiras consultadas pelo BC aumentaram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 5,18% para 5,26%. Para 2022, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) é de crescimento de 2,09%.

Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,50%. A expectativa para a cotação do dólar variou de R$ 5,04 para R$ 5,05 ao final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5,20.

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