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Sentença
Viúva de embaixador grego, que planejou a morte do marido, foi condenada a 31 anos de prisão
O julgamento teve duração de três dias e foi presidido pela juíza Anna Christina da Silveira Fernandes. No total, foram ouvidas 18 testemunhas
O Globo
29/08/2021 | 07:40

Françoise de Souza Oliveira foi condenada a 31 anos de prisão pela morte do marido, o embaixador grego no Brasil, Kyriakos Amiridis, crime ocorrido em 2016, em Nova Iguaçu. O policial militar Sérgio Gomes Moreira Filho, apontado como amante de Françoise, também foi condenado pelo Conselho de Sentença da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, a 22 anos de prisão em regime fechado. Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ), coube à viúva o planejamento do crime, enquanto o PM ficou encarregado da execução de Kyriakos.

O julgamento teve duração de três dias e foi presidido pela juíza Anna Christina da Silveira Fernandes. No total, foram ouvidas 18 testemunhas. Outro réu do caso, Eduardo Moreira Tedeschi de Melo, parente de Sérgio, foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado por ocultação de cadáver a um ano de reclusão, em regime aberto. Como já cumpriu sua pena, Eduardo, foi solto.

Em sua sentença, a juíza Anna Christina destacou: “As circunstâncias do crime são atípicas, vez que ele foi executado durante a época das festas natalinas, onde há uma natural aproximação das famílias, sendo que, nesse caso, esta família foi esfacelada diante de uma brutalidade que mais se aproxima a um ato bestial”.

Em outro trecho, a magistrada explicou a repercussão negativa que o caso ganhou, por ser a vítima um embaixador estrangeiro:“É sempre bom lembrar que ele (Sérgio) jurou defender a sociedade e não se insurgir contra ela. Valeu-se o acusado dessa condição, de policial militar, para que pudesse executar o crime, desonrando a Briosa e toda a confiança nele depositada pelo Estado. (…) A acusada (Françoise), que se autodenomina de embaixatriz, manchou o nome do Estado Brasileiro e envergonhou a nação com sua conduta, diante da negativa repercussão internacional dos fatos. Além disso, o crime foi meticulosamente pensado, premeditado, pois conforme os depoimentos colhidos, a acusada planejou e arquitetou, sendo a mandante de toda a trama macabra”.

A juíza também foi bastante contundente ao traçar a conduta social de Françoise, o que acrescentou à pena da ré mais um sexto da pena. Segundo a sentença da magistada, a viúva tem o perfil de uma pessoa manipuladora e dissimulada, defeitos que foram trazidos durante os depoimentos das testemunhas de acusação, entre elas, a própria mãe da embaixatriz. Descreve Anna Christina da Silveira Fernandes em certo trecho de sua decisão: “pelos depoimentos colhidos dos próprios familiares, notadamente da mãe da acusada, revela a acusada todo o seu egoísmo, frieza no atuar, covardia, demonstrando com bastante facilidade a pobreza de seu conteúdo moral e sentimental. Que tipo de pessoa elimina a vida de outra que lhe estendeu a mão, perfilhou a filha, que seria fruto de uma traição da acusada com outro homem, e lhe deu condições para uma vida que ela, por mérito próprio, jamais conseguiria?”.

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