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Economia
Turismo para a terceira idade e passeios de buggy voltam à ativa
Mesmo com a indefinição sobre uma segunda onda do novo coronavírus pairando no ar, o turismo regional mudou a feição dos visitantes e comanda a retomada depois de seis meses de paradeira. Grande aposta das operadoras no ano passado, público da terceira idade desapareceu em março, quando pandemia passou a ameaçar os idosos
Marcelo Hollanda
21/10/2020 | 05:15

Dentro da lógica das crises de que quanto maior o negócio, maior o tombo, dois segmentos que não negociam ações na bolsa e praticamente não ganharam quase nada este ano já iniciaram uma reação.

Enquanto grandes operadoras turísticas como a CVC acumulam perdas milionárias no terceiro trimestre deste ano, pelo menos dois nichos do setor no RN – o voltado para a terceira idade e o de passeios de buggy pelo litoral norte – começam a respirar depois de sete meses de isolamento social.

Mesmo com a indefinição sobre uma segunda onda do novo coronavírus pairando no ar, o turismo regional, que já vinha acusando um aquecimento visível na hotelaria, começou a trazer de volta um público que ainda não ousava por a cara de fora: a turminha da terceira idade.

Grande aposta das operadoras no ano passado, esta distinta faixa de consumidores desapareceu em março, quando a pandemia passou a ameaçar especialmente os idosos, cujo hábito de frequentar excursões e pacotes turísticos internacionais é notório.

“É muito bom ver que eles estão voltando e a gente só pode dizer: sejam bem vindos, cuidaremos bem de vocês”, comemora Selva Pimenta, dona de uma das agências de turismo de Natal que opera esse segmento há mais de três décadas.

Depois do Carnaval deste ano, todos os eventos interessantes do setor foram exterminados pelo coronavírus, desde a Semana Santa, no fim de março, passando pelo Dia de Tiradentes, em 21 de abril; São João em junho, quando a empresa fretava muitas excursões para Areia, na Paraíba, sem se esquecer do Festival do Fondue em Martins, entre 12 a 14 de julho.

Mesmo assim, a clientela de Selva Pimenta, como é mais conhecida Maria Luz da Selva Lopes Pimenta, ainda vai demorar um pouco para recompor os lucros de antes da pandemia, já que os protocolos de biosegurança para o seu negócio, por princípio, são mais exigentes, incluindo também os pontos de apoio.

“Aqui o atendimento presencial continua com hora marcada, dando preferência a pessoas de uma mesma família”, diz a agente de viagem Raissa Pimenta.

A última excursão para o exterior da agência foi no fim do ano passado, para a França e a Bélgica. Outras marcadas para este ano, como para o Reino Unido e Itália, desapareceram no calendário junto com a pandemia, o apagão aéreo e a quarentena rígida na Europa.

Segundo Raíssa, a agência fechou provisoriamente as portas no dia 23 de março, reabrindo em 17 de agosto na base do agendamento. Enquanto isso, todos os seis colaboradores ficaram em regime de home office, sem nenhuma demissão no período.

“Nossa responsabilidade vai além, ao lidar com um público que é mais grupo de risco. Isso faz com que fiscalizemos todos os pontos que receberão nossos grupos, o que dá uma carga de trabalho e preocupação redobrados”, afirma Raissa.

Nesses quase sete meses de paradeira, o faturamento da empresa desabou 90% do que foi no ano anterior e na média das últimas temporadas.

PASSEIOS

O outro setor que comemora a volta ao trabalho e de uma maneira acima da expectativa é o dos buggeiros que encontraram no litoral norte potiguar, por questões topográficas principalmente, seu ganha pão.

“A volta não poderia ser melhor. Estamos faturando até mais do que nessa época no ano passado. O que mudou foi o público”, diz Célio Pereira Barreto, que já está com a agenda cheia até janeiro, mas insiste que buggy é como coração de mãe: sempre tem mais um.

“Ao invés dos turistas de São Paulo e Rio, estão aparecendo os daqui mesmo do interior e da Paraíba”, diz ele.

Segundo ele, se há uma coisa consagrada no meio é que não se conhece as belezas do Litoral Norte se não for a bordo de um buggy. “E ao contrário de destinos como o Litoral Sul e Pipa, já muito bem servido de outros meios de transportes, o nosso já é a cara do destino, repleto de coisas típicas para ver e aventuras a viver”, afirma.

Um grande grupo de buggeiros no WhatsApp e muita solidariedade garante ocupação completa por veículo. Quem tem pedidos sobrando e não pode atender repassa para um parceiro, que, por sua vez, estando ocupado, passa para outro.

Hoje, são por volta de 400 buggeiros disputando o mercado e, segundo Célio, a maior parte desse contingente, especialmente os mais profissionais e organizados, não sentirá os efeitos da pandemia neste fim de ano.

E os passeios, para quem ainda não fez, são inesquecíveis. Incluem quatro praias e três lagoas, passando por Genipabu. Há paradas para o banho em Pitangui, antes do condutor seguir para a Praia de Jacumã, onde estão localizadas as famosas dunas e lagoa e onde os turistas costumam se divertir no “aerobunda”, que é a descida na tirolesa, e o “esquibunda”, a descida na prancha.

O “esquibunda” foi proibido na lagoa, mas tem o “Eskbunda” do Cícero, nas dunas de Jacumã, e no Pargus Club, que fica entre a duna e a estrada que liga as praias de Jacumã e Muriú. E, é claro, o “Kamikase”, uma descida radical em prancha de more board.

Pagando um valor extra para o buggeiro, o turista pode conhecer o Parque das Dunas Móveis de Genipabu, área de preservação permanente.

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