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Oriente Médio

Trump intervém em escalada entre Irã e Israel

Intervenção do presidente dos Estados Unidos levou à suspensão das operações militares dos dois países, enquanto Washington tenta retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Por O Correio de Hoje
09/06/2026 | 14:21

A intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudou a interromper uma rápida escalada militar entre Irã e Israel que, por dois dias, reacendeu o risco de um conflito regional de grandes proporções no Oriente Médio e colocou em xeque a estabilidade alcançada após semanas de relativa contenção entre os dois países.

Após uma intensa troca de ataques envolvendo mísseis balísticos iranianos e bombardeios israelenses, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a suspensão das operações militares contra o Irã. Pouco depois, as Forças Armadas iranianas também informaram a interrupção dos ataques, embora ambos os lados tenham deixado claro que permanecem preparados para retomar as hostilidades caso considerem necessário.

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Míssil iraniano que não explodiu sendo observado por militares e, em paralelo, Trump consegue segurar o conflito - Foto: reprodução / internet

Segundo autoridades americanas e israelenses ouvidas sob condição de anonimato, Trump telefonou diretamente para Netanyahu e pediu que Israel suspendesse a ofensiva. O contato ocorreu após uma sequência de ataques que elevou a tensão regional ao nível mais alto desde os confrontos diretos registrados em abril.

A escalada começou no domingo, quando Israel realizou ataques nos arredores de Beirute, no Líbano. De acordo com o Exército israelense, os alvos eram posições da milícia xiita Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

A resposta de Teerã veio poucas horas depois, com o lançamento de mísseis balísticos contra território israelense. Israel reagiu com duas ondas de ataques aéreos em diferentes regiões do Irã, incluindo instalações ligadas ao maior complexo petroquímico do país. O governo iraniano respondeu novamente com disparos de mísseis em direção ao centro de Israel.

A troca de ataques alimentou temores de uma ampliação do conflito envolvendo outros atores regionais e ameaçou comprometer esforços diplomáticos conduzidos por Washington para reduzir as tensões na região.

Em pronunciamento gravado divulgado após a conversa com Trump, Netanyahu afirmou que o Irã tentou impor “uma nova equação” ao atacar Israel em resposta às operações militares israelenses no Líbano.

“Essa equação é insuportável e inaceitável para mim”, declarou o premiê.

Embora não tenha confirmado publicamente que a suspensão dos ataques ocorreu após pedido do presidente americano, Netanyahu destacou as conversas mantidas com Trump e reiterou o que chamou de direito de Israel à autodefesa.

“Estamos exercendo esse direito conforme necessário”, afirmou. “Digo isso a vocês, assim como já disse com apreço e respeito em minhas boas conversas com meu amigo, o presidente Trump.”

A atuação da Casa Branca ocorre em meio a uma tentativa mais ampla de retomar negociações com Teerã sobre o programa nuclear iraniano. De acordo com autoridades informadas sobre a conversa entre Trump e Netanyahu, o presidente americano argumentou que Estados Unidos e Irã estariam próximos de criar condições para um novo ciclo de negociações voltado a um acordo nuclear de longo prazo.

O governo americano avalia que uma escalada militar poderia inviabilizar qualquer avanço diplomático e comprometer a estabilidade de uma região estratégica para o mercado global de energia.

Em declaração feita na Casa Branca, Trump afirmou que tanto Israel quanto Irã desejam um “cessar-fogo imediato”, mas ressaltou que a pressão econômica e militar dos Estados Unidos sobre Teerã permanece ativa.

Entre as principais exigências americanas está o fim das restrições impostas pelo Irã à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e derivados.

Washington também cobra a retirada de minas instaladas por forças iranianas ao longo da passagem marítima, considerada vital para o abastecimento energético global.

O controle do Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações internacionais. Aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente passa pela região, o que torna qualquer ameaça à navegação um fator de pressão sobre os preços internacionais da energia.

Ao mesmo tempo, o governo iraniano busca acesso a bilhões de dólares em ativos congelados no exterior. A administração Trump, contudo, tem sinalizado que qualquer flexibilização dependerá do cumprimento de compromissos concretos por parte de Teerã relacionados ao programa nuclear e à segurança regional.

Apesar da suspensão dos ataques, analistas observam que a trégua permanece frágil. Tanto Israel quanto Irã reforçaram que mantêm capacidade operacional para retomar ações militares em curto prazo, caso considerem que seus interesses estratégicos estejam ameaçados.

O episódio evidencia a volatilidade do cenário geopolítico no Oriente Médio e reforça os desafios enfrentados pela diplomacia americana para conciliar esforços de contenção militar com a tentativa de construir um novo entendimento sobre o programa nuclear iraniano.

Por enquanto, a intervenção de Washington conseguiu evitar uma ampliação imediata do conflito. A sustentabilidade dessa pausa, porém, dependerá da evolução das negociações diplomáticas e da capacidade das partes de impedir que novos episódios de violência reabram uma crise que continua longe de uma solução definitiva.