O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli decidiu permanecer como relator do caso Master após o pedido de afastamento apresentado pela Procuradoria-Geral da República. Contatado por colegas do Supremo, o ministro informou que ficaria com o processo e afirmou que vai “apanhar o que tiver que apanhar” e “conduzir o caso regularmente, com tranquilidade”.
Em nota divulgada após a rejeição do pedido de afastamento, Toffoli afirmou que o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, “reafirma a regularidade da condução”. Segundo o ministro, “todos os requerimentos formulados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal foram integralmente deferidos. Em razão disso, todas as medidas investigativas foram autorizadas pelo relator e as apurações encontram-se atualmente sob a custódia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, responsáveis pela análise do material e pela instrução dos procedimentos”.

Na prática, o ministro decidiu não deixar a relatoria do caso. A decisão ocorre em meio a críticas internas no STF sobre sua permanência à frente de um processo considerado complexo e alvo de questionamentos. A um aliado, Toffoli afirmou: “Não vou abrir mão”.
Aos críticos dentro do próprio Supremo, o ministro relembrou que integrantes da Corte têm conhecimento de episódios envolvendo caronas em aeronaves ligadas a grandes empresários e que a situação não seria inédita ou única.
No andamento do processo, Toffoli determinou novos depoimentos dos diretores do Master para a próxima semana. O ministro também pretende realizar uma segunda reunião reservada com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para tratar de pontos que ficaram evidentes, inclusive em decisões publicadas por ele no dia da segunda fase da operação Compliance Zero.