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Efeito da cocaína
“Tive um AVC na frente do Faustão”, diz comediante sobre uso de drogas
Em entrevista ao iG, o comediante falou de como o vício em ketamina - anestésico usado em cavalos - afetou a vida pessoal e profissional e o levou até tentativa de suicídio
IG
07/07/2021 | 14:03

Evandro Santo, de 46 anos, é direto ao dizer que “sair do armário como gay” foi fácil, mas se assumir como adicto foi um dos maiores desafios de sua vida. O comediante, que ficou famoso no começo dos anos 2000 com o personagem Christian Pior, no “Pânico na TV”, gravou um vídeo recentemente contando que sofre com o vício em drogas há anos e que está em sua quinta internação . O humorista lembra que chegou até a ter um AVC na frente de Faustão quando o entrevistou no casamento de Emerson Fittipaldi após cheirar cocaína.

Após anos trabalhando na televisão, teatro e rádio com humor, a mensagem que ele quer levar para a mídia agora é outra: a conscientização sobre saúde mental e dependência química.

Além do “Pânico”, o humorista já trabalhou no “Melhor da Tarde”, “Programa do Ratinho” e foi participou de “A Fazenda 10”, mas há dois meses ele se afastou voluntariamente dos holofotes para encarar a reabilitação. Evandro está na Clínica Amoreira, localizada em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo. O iG Gente foi conhecer o espaço e conversou com o comediante.

O espaço, fundado por um adicto em recuperação há 24 anos, é focado em um tratamento humanizado para pessoas com dependência química e outros transtornos de saúde mental. O local lembra um hotel fazenda, com os quartos espalhados em uma grande área verde e arborizada. Os acolhidos, como são chamados os pacientes, vivem uma rotina regrada em atividades terapêuticas, horários para as refeições e consultas com psicólogos, psiquiatras, terapeutas e enfermeiros. Foi durante o tempo livre entre as aulas da manhã e da tarde que a reportagem se encontrou com Evandro.

O humorista conta que já passou por outras reablitações anteriormente, mas essa é a primeira vez que decidiu se internar em uma clínica voluntariamente. Evandro era viciado em ketamina, droga usada como anestésico em cavalos e que tem efeito relaxante. Ele conta que gastava de R$ 800 a R$ 1000 por semana com o medicamento e também tinha começado a cheirar cocaína para estimular o corpo “quando estivesse muito dopado de ketamina”. Além disso, tomava 30 gotas de Rivotril para conseguir dormir.

O ex-Pânico já havia conhecido a Clínica Amoreira em 2020, antes do espaço estar funcionando. Ele é amigo do fundador, o terapeuta holístico conhecido como Moreira, e mandou um áudio para o dono da clínica às 2h da madrugada, quando estava chapado, pedindo ajuda. Ele foi convidado para se internar e decidiu aceitar a proposta.

Ao contrário das quatro vezes anteriores, Evandro fala que não sofreu com abstinência ou fissura. O comediante considera que essa é a primeira vez que se internou de fato, pois está assimilando o tratamento e realmente deseja se manter limpo e em recuperação. O terapeuta Denis Baumgarten, que trabalha com os acolhidos da clínica, analisa que as internações anteriores podem ter ajudado nesse processo de entendimento e estão facilitando a recuperação desta vez.

O começo

Evandro Santo conta que aprendeu em sua quinta internação como o passado dele influenciou na adicção. Ele foi criado pelos tios avós nos primeiros anos de vida, mas voltou a viver com a mãe quando tinha cinco anos. Aos 14, saiu da casa em Uberaba e mudou-se para São Paulo sem nem ter onde ficar, pois na época a mãe não aceitava a homossexualidade do filho. Mesmo com a juventude tumultuada, o humorista não usou drogas e só foi experimentar álcool aos 25 anos, quando decidiu tomar “um porre para superar um pé na bunda”.

Mesmo que não fizesse uso de substâncias, o humorista percebe hoje que já tinha um comportamento de adicto desde a infância quando estudava balé. “Eu precisava de três ou quatro escolas de balé, saía de uma e ia para outra. Quando eu era adolescente, era sexo. Era a pessoa mais trepadeira de Uberaba. Depois era trabalho, tinha que ter dois ou três empregos. Teve uma época que eu misturei tudo: sexo, trabalho, balé e diversão”, conta.

A primeira vez que Evandro usou uma droga ilícita foi em 1999, quando foi a uma rave com uma amigo e tomou ecstasy. Ele recorda que no começo controlou o consumo de drogas e só usava ecstasy uma vez por ano. Foi somente em 2003 que começou a usar em um intervalo menor de tempo, como a cada 15 dias. Entretanto, essa não é a droga de preferência do humorista. Ele é hiperativo e foi a ketamina que o fisgou, justamente pelo efeito relaxante da substância.

Segundo ele, começou a usar drogas porque queria se encaixar em um grupo de amigos e andar com as pessoas que considerava “as mais legais da boate”. Porém, não gostou dos efeitos da ketamina da primeira vez que usou a droga. Foi em 2007, quando fazia muito sucesso no “Pânico”, e estava passando por uma fase complicada com a mãe enfrentando um câncer, a morte de um amigo e um término de relacionamento complicado que aumentou o uso da droga durante uma viagem para o Rio de Janeiro. “Não queria curtir com os meus amigos na praia e ficava no apartamento cheirando e viajando. Tanto que eu desfilei pela Vila Isabel nesse ano completamente chapado e errando todo o samba-enredo. Um vexame”, lembra ele em entrevista ao iG.

Evandro Santo levou placas que faziam parte do cenário de uma peça que ele fez para decorar a clínica

Pedro Garcia

Evandro Santo levou placas que faziam parte do cenário de uma peça que ele fez para decorar a clínica

Os fundos do poço

Ao longo dos anos, a dependência química de Evandro Santo só foi piorando. Ele lembra que em 2012, quando estava no auge com o “Pânico”, ficou solteiro e acabou se deslumbrando com a fama e a vida na noite. Além disso, ele comenta que a alta carga de trabalho também acabou influenciando, pois com isso acabava se afastando de amigos e usando mais droga.

Essa situação não passou despercebida das câmeras. Em 2012, ele foi como Christian Pior cobrir o casamento de Emerson Fittipaldi e o programa da Band não cortou um momento em que o humorista entrevista o Faustão sob efeito da substância. “Tive três princípios de overdose. No casamento do Fittipaldi, eu começo a ter um AVC na frente do Faustão e o ‘Pânico’ não excluiu essa cena. Pensei que ia demorar alguém para chegar no casamento, fui no banheiro cheirar e o primeiro convidado era o Faustão. Comecei a enrolar a língua na frente dele”, conta.

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