BUSCAR
BUSCAR
Entretenimento

The Pitt: a série médica que me fez reconsiderar a profissão

Produção da HBO aposta no realismo, acompanha um plantão de 15 horas em tempo real e transforma o caos da emergência em um retrato cru da medicina contemporânea
Nathallya Macedo
03/03/2026 | 18:10

Robby Robinavitch (Noah Wyle) lidera a equipe médica no caos do pronto-socorro em The Pitt; série acompanha plantão de 15 horas e mostra o cansaço dos profissionais

Nunca gostei de sangue. Nem de hospital, muito menos da ideia de seguir carreira na medicina. Sempre fui do tipo que observa de fora — jornalista, que gosta de ler, escrever e entrevistar. Ainda assim, posso dizer que há algo em The Pitt (HBO Max) que me fez reconsiderar certas certezas.

the pitt 2 temporada
The Pitt: a série médica que me fez reconsiderar a profissão - Foto: Warrick Page/HBO Max

Em um gênero que já nos acostumou a doenças raríssimas e médicos com vidas pessoais mais caóticas que o pronto-socorro, a série segue outro caminho. Não há diagnósticos extravagantes a cada episódio, nem personagens caricatos. E, embora exista drama — afinal, trata-se de gente lidando com vida e morte — ele não domina tudo, como acontece em Grey’s Anatomy.

Em The Pitt, as histórias pessoais aparecem no momento certo, sem sequestrar a narrativa. O foco continua sendo o trabalho, o cansaço e a urgência. Desde o início, a série mergulha no caos da emergência com corredores lotados, poucos recursos e profissionais trabalhando no limite. No centro da trama está Robby Robinavitch (Noah Wyle), médico experiente que lidera a equipe.

A estrutura da série ajuda a explicar essa sensação de realidade quase documental. Cada temporada acompanha um único plantão de 15 horas, dividido em 15 episódios — um para cada hora do turno. O espectador acompanha a evolução dos casos, pacientes chegando, decisões rápidas sendo tomadas. Não há descanso porque, naquele hospital, ninguém descansa.

Durante 15 semanas seguidas, sempre há um episódio novo. A segunda temporada estreou em janeiro e segue essa lógica, desta vez em um plantão no Pittsburgh Trauma Medical Center durante o 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos.

É um cenário propício para o caos — e a série sabe disso. Entre as tramas estão o retorno do Dr. Langdon, personagem que havia sido flagrado desviando medicamentos legalmente do hospital na temporada anterior.

A produção também não ignora o mundo fora das paredes do hospital. A série já incorporou temas atuais, como ataques a tiros em festivais de música e casos de agressão sexual, refletindo um cenário que infelizmente faz parte do noticiário. Isso contribui para a sensação de que estamos vendo não apenas ficção, mas um retrato plausível da saúde contemporânea.

Os números mostram que o público percebeu isso. Dados divulgados pela HBO indicam que a segunda temporada tem média de cerca de 12 milhões de espectadores por episódio — um crescimento de aproximadamente 50% em relação ao primeiro ano, com audiência aumentando semana após semana.

Até agora, sete dos 15 episódios da nova temporada foram exibidos. Se nada mudar, o último vai ao ar em abril. Antes mesmo disso, a terceira temporada já foi confirmada, algo cada vez mais raro em produções atuais.

Onde assistir The Pitt?

Os episódios inéditos de The Pitt são disponibilizados exclusivamente na HBO Max, plataforma que também reúne a primeira temporada completa da série.

Quantos episódios vão ao ar?

A segunda temporada estreou em 8 de janeiro e segue um cronograma com novos episódios todas as quintas-feiras, às 23h (horário de Brasília), com exibição prevista até 16 de abril, quando vai ao ar o último capítulo da temporada.