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Na reserva
Terror de todo motorista na capital do RN é abastecer o carro
Com a inflação atingindo principalmente os mais pobres, quem usa o carro para trabalhar não sabe mais como fazer diante dos aumentos seguidos da gasolina e do etanol. A preocupação também atinge os donos de postos. Petrobras alega, em seu site, que o valor pago pelo consumidor final não está sob sua gestão
Marcelo Hollanda
29/06/2021 | 10:16

O Uber paga a seus motoristas R$ 1,80 por quilômetro rodado, mais R$ 0,12 por minuto de duração da corrida. Às 6h54 de domingo, 27 de junho, Ranieri levou um passageiro por 12,6 km até o destino, gastando 15 minutos no trajeto.

Os ganhos dele, pelos cálculos do aplicativo, foram de R$ 11,36 pelos quilômetros rodados, mais R$ 1,94 pelo tempo gasto. Somado a uma base de R$ 0,50, a corrida deu no final deu um ganho para o motorista de R$ 13,80.

“Dirijo pelo aplicativo há quatro anos e meio e nunca tivemos um reajuste nesses valores”, diz o trabalhador, que é um conhecido artista gráfico de Natal, repleto de conhecidos nas redes sociais e fora dela.

Nesta segunda-feira, Ranieri repetiu uma conhecida sensação de desgosto ao abastecer o carro, que roda em média 200 km por dia: parou no posto e pagou R$ 6,29 pelo litro.

O carro dele, que roda da categoria UberX, mesmo adaptado à gás, não prescinde da gasolina e do etanol, que registrou aumentos superiores 50% entre janeiro a junho deste ano, em parte, porque os usineiros de olho nos dólares da exportação produziram mais açúcar do que álcool.

Na falta do produto, ele sobe. Num cenário como este Ranieri não planeja absolutamente nada: vai gastando o dinheiro conforme recebe em produtos de primeira necessidade, rezando para que o carro não dê um prego.

“A grande maioria dos motoristas que entram aqui é pra gastar R$ 20,00 e R$ 50,00”, diz o frentista de um posto da Zona Oeste de Natal. É o resultado do que o povo chama de carestia.

“Os carrões dos bacanas compensam um pouco, mas a maioria ta com o freio de mão puxado e quase ninguém completa o tanque”, diz ele, que não quer complicação e pede para não ser identificado.

Hoje, muitos donos de postos – que também não gostam de aparecer – até torcem para que o governo tabele o preço da gasolina.

“Isso já foi feito no passado e deu resultado e eu cheguei a conseguir uma margem bruta de lucro de 19% (hoje é 12%/ 13%)”, diz um empresário do setor.

“O que não dá são pessoas acharem que a culpa desse preço absurdo no preço do litro do combustível é do posto”, acrescenta desanimado.

Diz que muita gente reclama dizendo: na Paraíba a gasolina é mais barata, “mas as pessoas precisam entender quantas usinas de álcool existem lá e quantas têm no Rio Grande do Norte”.

Outro fator é que a gasolina tem 26% de etanol na composição e quando este sobe influencia o preço final do combustível.

Como o álcool pode substituir a gasolina nos carros flex, o consumidor é levado a optar pela alternativa do etanol, razão pela qual a valorização também pode acontecer.

E há quem diga que se não houvesse uma correção de preço, a demanda por etanol se elevaria por parte dos distribuidores, mantendo-se no mesmo patamar, ou seja, o preço seria elevado de qualquer maneira.

Outro proprietário de posto ouvido pelo Agora RN nesta segunda-feira afirma que é difícil até saber as vendas de etanol por parte das usinas porque elas nem publicam mais os resultados como faziam antigamente.

“A coisa está tão feia que eles nem falam mais no assunto”, queixa-se. “O medo agora é que com o barril chegando a US$ 100 até o fim do ano (hoje está a US$ 70) e o dólar valendo R$ 5,10, como ficarão as coisas”.

A Petrobras alega em seu site que o valor pago pelo consumidor final não está sob sua gestão por quatro razões: preços do produtor ou importador de gasolina; carga tributária, custo do etanol obrigatório e margens da distribuição e revenda.

Os demais agentes da cadeia de comercialização, como importadores, distribuidores, revendedores e produtores de biocombustíveis, também influenciam na formação do preço final, alega a estatal.

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