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Sororidade, denúncias de assédio e mais homens eliminados: Como ‘BBB’ se tornou mais feminino
'BBB 20' foi único a eliminar quatro homens no primeiro mês de paredões. Mulheres venceram sete edições do programa na última década, com total de 78% das vitórias
G1
04/03/2020 | 10:09

No placar de homens versus mulheres no “Big Brother Brasil”, eles levam uma pequena vantagem: foram 10 vencedores contra 9 vencedoras.

Mas, nos últimos dez anos, as mulheres ganharam força e venceram 7 das 9 edições ventre 2011 e 2019. Nesta década, portanto, elas venceram 78% das edições.

As mulheres foram as que mais chegaram às finais do programa: foram 28 mulheres contra 21 homens nas 19 finais, algumas com dois e outras com três participantes. Elas compuseram 57% das finais. E eles, 43%.

A vigésima edição também está sendo dominada pelas mulheres. Pela primeira vez, quatro homens foram eliminados no primeiro mês de programa: Lucas Chumbo, Petrix, Hadson e Lucas Gallina.

E também pela primeira vez nove mulheres chegam à sexta semana: Flayslane, Gabi, Gizelly, Ivy, Manu, Marcela, Mari, Rafa e Thelma.

Sororidade em pauta

O ex-jogador de futebol Hadson, o Hadybala, foi o terceiro participante eliminado do BBB 20 — Foto: Reprodução / TV Globo

ex-jogador de futebol Hadson, o Hadybala, foi o terceiro participante eliminado do BBB 20 — Foto: Reprodução / TV Globo

As eliminações seguidas não foram fruto do acaso, mas de uma série de decisões consideradas equivocadas pela casa e pelo público:

  • Combinações de voto logo na primeira semana entre Petrix, Lucas, Prior, Hadson e Chumbo;
  • Acusações de assédio contra Petrix
  • “Plano de sedução”: ideia de se aproximarem das mulheres comprometidas no programa para prejudicar a imagem delas com o público.

A união das mulheres teve início quando Marcela decidiu contar sobre o plano para todas as participantes da casa.

O enfraquecimento dos homens se consolidou quando os participantes da casa de vidro, Ivy e Daniel, confirmaram que Marcela dizia a verdade e que a torcida do público era pelas mulheres.

A partir de então, a maioria delas formou uma aliança de proteção. O termo sororidade chegou a ter aumento de 250% na procura no Google após ser usado por Manu Gavassi como justificativa de voto no dia 9 de fevereiro.

Por que o feminismo entrou no ‘BBB’?

Petrix Barbosa foi eliminado do BBB20 — Foto: Reprodução/TV Globo

Petrix Barbosa foi eliminado do BBB20 — Foto: Reprodução/TV Globo

O “BBB 20” foi tomado por discussões que vão além do jogo: assédio físico, abuso psicológico e emocional. Primeiro, Petrix apertou os seios de Bianca e se esfregou em Flayslane. Depois, Pyong passou a mão no corpo de Flayslane. Os dois foram advertidos no programa.

Nas últimas semanas, Guilherme tem sido acusado por espectadores de fazer pressão em Gabi, com quem tem uma relação no programa. Em 2017, o participante Marcos Harter foi eliminado após discutir e segurar com força os braços de Emily, com quem se relacionava no programa.

Esses assuntos entraram na pauta da casa porque passaram a fervilhar na sociedade – e na cultura – nos últimos anos. Movimentos como o “Me too” (2017), de mulheres da indústria do entretenimento que denunciaram comportamentos abusivos ajudaram a disseminar os direitos das mulheres.

No Google, as buscas pelo termo feminismo aumentaram mais de 50% entre 2004, início da série histórica de buscas, e 2019 no Brasil. O interesse pelo termo começou a crescer em 2015. No mesmo ano, foi sancionada a Lei do Feminicídio, que reconheceu o crime por razões de gênero no país.

Também cresceram as campanhas contra o assédio, por equidade salarial e oportunidades iguais de trabalho.

Um início promissor para os homens

Só depois de quatro edições uma mulher foi campeã do “Big Brother Brasil”. Os homens começaram o reality em vantagem: das 10 primeiras edições, de 2001 a 2010, eles venceram oito vezes.

Os perfis dos vencedores eram os mais variados: o inocente (Bambam), o de bom coração (Rodrigo), o jogador (Dhomini), o injustiçado (Jean Wyllys), o “bad boy” (Alemão), o tímido (Rafinha), o estrategista (Max) e até o vilão (Dourado).

A partir da segunda década do programa, a história se inverteu: de 2011 a 2019, foram apenas dois ganhadores: Fael, em 2012, e Cézar Lima, em 2015.

A guinada das mulheres

Cida e Mara, as únicas vencedoras durante os primeiros 10 anos de programa, tinham dois aspectos em comum: vinham de famílias pobres. Até então, parecia que a origem era o único fator capaz de dar vitória a uma mulher.

Foi com Maria, em 2011, que o público passou a premiar mulheres de todos os estilos e origens, assim como fez com os homens no início do programa: Maria (2011), Fernanda (2013), Vanessa (2014), Munik (2016), Emily (2017), Gleici (2018) e Paula (2019).

Gleici na final do 'BBB18' — Foto: TV Globo

Gleici na final do ‘BBB18’ — Foto: TV Globo
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