O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta sexta-feira 14, que, se os Estados Unidos impuserem tarifas sobre o aço brasileiro, o governo tomará medidas comerciais ou, se necessário, recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A declaração, a primeira após o presidente dos Estados Unidos confirmar tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, foi dada em entrevista à Rádio Clube do Pará, onde o presidente cumpre agenda durante o dia.

“Se taxarem o aço brasileiro, vamos reagir comercialmente, denunciar na Organização Mundial do Comércio ou impor tarifas sobre os produtos que importamos deles”, afirmou Lula.
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Atualmente, o Brasil é o segundo maior fornecedor de aço e ferro para os Estados Unidos, alcançando sua maior participação no mercado. Em 2024, os EUA importaram US$ 4,67 bilhões (aproximadamente R$ 27 bilhões) em produtos brasileiros do setor de “Aço e Ferro”.
No ano passado, o Brasil foi responsável por 14,9% de todas as exportações do grupo que inclui aço e ferro como matérias-primas, ficando atrás apenas do Canadá, que deteve 24,2% desse mercado.
Novos mercados
A imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre a compra de aço e alumínio obriga o Brasil a diversificar seus mercados de exportação, especialmente com a queda na demanda da China, de acordo com especialistas consultados pela CNN.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, explica que as tarifas impactaram o mercado de aço, além de reduzir as exportações.
“Mesmo que o Brasil tentasse compensar as exportações para os EUA com a China, não conseguiria preencher essa lacuna, pois a demanda chinesa pelo material tem desacelerado nos últimos anos”, afirmou Gustavo.
As exportações da China de itens classificados como “ferro fundido, ferro e aço” vêm diminuindo desde 2020, quando atingiram US$ 2,12 bilhões, segundo dados do MDIC.