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Olimpíadas
Se Nordeste fosse País, estaria na frente de Portugal e Argentina no quadro de medalhas
Até o final da Olimpíada neste domingo, país Nordeste ainda poderia ficar à frente de Espanha, Polônia e Jamaica, caso Hebert e Bia vençam nas finais do boxe
Veja
06/08/2021 | 19:30

O potiguar Ítalo Ferreira conquistou o primeiro ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio no surf. De pequena Imperatriz, no interior Maranhão, saiu a jovem Rayssa Leal de 13 anos, medalha de prata no skate street. A baiana Ana Marcela Cunha também subiu no lugar mais alto do pódio com a vitória na prova dos 10 km da maratona aquática.

É fato: o nordeste é um grande celeiro de medalhas do país na Olimpíada. E vem mais por aí. Hebert Conceição e Beatriz Ferreira estão nas finais de suas categorias no boxe e podem trazer mais duas medalhas douradas para o Brasil.

A dupla, assim como Ana Marcela, também é da Bahia. O estado é a terra natal de outros grandes pugilistas da história brasileira, como Acelino “Popó” Freitas e Robson Conceição, ouro na Rio-2016 na categoria peso leve (até 60 kg). Hebert, de 23 anos, será o primeiro a disputar a final, na madrugada de sexta para sábado, às 2h45 (horário de Brasília), contra o ucraniano Oleksandr Khyzniak.

Bia Ferreira, 28, luta pelo ouro contra a irlandesa Kellie Anne Harrington na madrugada de sábado para domingo às 2h.

A curta carreira de Hebert Conceição tem a influência de dois gigantes do boxe nacional. Robson Conceição é um de seus mentores. O outro é o renomado Luiz Dórea, uma referência do esporte e que foi o técnico de “Popó”. O jovem chegou aos cuidados da academia de Dórea aos 12 anos de idade e a mentalidade vencedora do profissional foi importante para moldar o lutador.

Após conquistar uma vaga na semifinal, que já garantia a medalha de bronze, Hebert ligou para a Academia Champion, no Bairro da Cidade Nova, em Salvador. A empolgação pelo pódio foi substituída por uma “bronca” do técnico. “Ainda não acabou: você tem que fazer esse bronze virar ouro”, disse Luiz Dórea, que não viajou para Tóquio.

O atleta baiano da capital Salvador venceu o atual campeão mundial amador do peso médio (até 75 kg), o russo Gleb Bakshi, na semifinal para chegar à decisão. Na trajetória em Tóquio, as raízes baianas foram o destaque. O torcedor do Esporte Clube Bahia escolheu o Olodum como a trilha sonora para a Olímpiada.

“Nobre guerreiro negro de alma leve, nobre guerreiro negro lutador”, diz a letra da música Madiba, da banda baiana, e que embala Hebert na entrada para cada uma de suas lutas.

Bia Ferreira traz o boxe no sangue. O pai Raimundo, conhecido como Sergipe, era pugilista e passou o dom e a paixão pelo esporte para a filha. “Foi vendo o amor dele pelo boxe que me encantei”, contou a atleta de 28 anos em entrevista a VEJA em 2019.

A caminhada até a final olímpica enfrentou as dificuldades naturais de alguém que tenta a vida no esporte no Brasil, mas teve mais um problema. Chegou a ser suspensa por dois anos por praticar muay thai, o que é proibido pela Associação Internacional de Boxe Amador.

Mesmo assim, é uma sumidade quando se trata de boxe feminino. Foi a primeira brasileira a conquistar o Campeonato Mundial de Boxe. Ao superar a finlandesa Mira Potkonen na semifinal do peso leve (até 60 kg), a baiana – que assim como Hebert nasceu na capital do estado – se tornou também a primeira do país a garantir uma vaga na final do boxe olímpico. O melhor resultado entre as mulheres na modalidade foi o bronze de Adriana Araújo em Londres-2012. As duas são amigas. Bia foi sparring da companheira na Rio-2016.

O bronze de Abner Teixeira no peso pesado (até 91 kg) somado a essas duas medalhas já garantidas para a Bahia e para o Brasil significam muito para o boxe nacional. Já é o melhor desempenho do país na modalidade na história. Em Londres há nove anos, também foram três medalhas, mas com apenas uma final: a prata do “pizzaiolo” Esquiva Falcão. No Rio de Janeiro, apenas Robson Conceição chegou até a última luta.

Já o sucesso do nordeste é ainda mais impressionante pelo número de atletas nos Jogos Olímpicos. O chamado Time Brasil conta com apenas 45 atletas nascidos na região, contra 189 do Sudeste e 48 do Sul. Apesar disso, os nordestinos sozinhos já têm mais medalhas do que países importantes no cenário esportivo como Portugal e Argentina – e pode superar Espanha, Polônia e Jamaica se Hebert e Bia vencerem. Que venham mais ouros para o Nordeste!

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