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Internacional

Rússia afirma estar pronta para cenário sem tratado nuclear com os Estados Unidos

Acordo New START, que limita arsenais nucleares das duas potências, expira nesta quinta-feira e não deve ser renovado
Redação
03/02/2026 | 12:35

O governo da Rússia declarou nesta terça-feira (3) que o país está preparado para viver uma nova realidade sem um acordo que limite armas nucleares com os Estados Unidos. O tratado New START, responsável por impor restrições aos arsenais nucleares das duas maiores potências do mundo, expira nesta quinta-feira (5) e não há expectativa de renovação.

Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama, dos EUA, e Dmitry Medvedev, da Rússia, o acordo entrou em vigor no ano seguinte. O New START estabelece um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas por país, além de limitar o número de mísseis balísticos intercontinentais, bombardeiros estratégicos e submarinos nucleares a 700 unidades. O tratado também prevê inspeções recíprocas.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante evento oficial; tratado nuclear com os EUA chega ao fim nesta semana Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Nesta terça, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Washington não respondeu à proposta do presidente Vladimir Putin para prorrogar as restrições por mais um ano. Segundo ele, o encerramento do acordo pode deixar o mundo em uma situação mais perigosa em um curto espaço de tempo.

Já o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, afirmou que o fim do tratado é iminente e avaliou que, no momento, não existem condições para a retomada de um diálogo relevante com os Estados Unidos sobre estabilidade estratégica.

Do lado norte-americano, há o interesse de incluir a China em um eventual novo acordo. Pequim, no entanto, rejeita a proposta sob o argumento de que seu arsenal nuclear não é comparável ao dos EUA ou da Rússia.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, que participou da assinatura do New START em 2010, alertou que o encerramento do tratado pode abrir caminho para uma nova corrida armamentista. Caso o acordo não seja renovado, será a primeira vez desde 1972 que não haverá limites legais para os arsenais nucleares das duas maiores potências globais.