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Validação
Rio Grande do Norte já tem 20 municípios livres da mosca da fruta
O reconhecimento oficial é condição essencial para que os produtos brasileiros acessem mercados internacionais para os quais a praga está ausente e apresenta importância econômica
Redação
30/06/2021 | 08:48

O Rio Grande do Norte já tem 20 municípios reconhecidos como área livre da mosca das frutas (Anastrepha grandis), após a validação por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) da expansão da Área Livre da Praga (ALP).

Os municípios que agora fazem parte da área livre na mosca da fruta no RN são Mossoró, Tibau, Grossos, Areia Branca, Serra do Mel, Baraúna, Assú, Afonso Bezerra, Alto do Rodrigues, Ipanguassu, Porto do Mangue, Upanema, Apodi, Gov. Dix-Sept Rosado, Felipe Guerra, Caraúbas, Macau, Pendências, Jandaíra e Pedro Avelino.

O estabelecimento e reconhecimento oficial de uma ALP é condição essencial para que os produtos brasileiros acessem mercados internacionais para os quais a praga está ausente e apresenta importância econômica.

Segundo o superintendente Federal de Agricultura no RN, Roberto Carlos Razera Papa, a ampliação ajudará a expansão de negócios, melhorando o emprego e a renda no estado.

“Além dos programas de exportação já em curso para o Mercosul, América do Norte e China, outros países do eixo asiático já demonstraram interesse no melão produzido sem risco fitossanitário para A. grandis”, afirma.

O Brasil é o terceiro produtor mundial de frutas, com produção anual em torno de 40 milhões de toneladas, sendo que somente cerca de 3% dessa produção é exportada. Em maio deste ano, o Mapa publicou a Portaria nº 305, que reconhece a expansão da área livre da praga mosca das frutas nos estados do Ceará e Rio Grande do Norte.

A Área Livre da Praga da mosca das frutas foi reconhecida pelos EUA na década de 90 com apenas dois municípios do RN, Mossoró e Apodi. Em 2008, expandiu-se para 13 municípios do RN e sete no Ceará e hoje. Hoje, é reconhecida pelos EUA, Chile, Argentina, Uruguai e China, com importantes programas de exportação de melão e melancia.

O ex-delegado Federal de Agricultura no RN e auditor fiscal federal agropecuário Evádio Pereira, cuja gestão iniciou o projeto ALP A. grandis na década de 1990, lembra que o trabalho no estado começou com análises fitossanitárias de melão, amostras e cortes, armadilhas e monitoramento na área tampão das matas que circundava os campos de produção, para verificar se havia hospedeiros da praga.

“Depois da apresentação de um relatório de três anos dessa experiência inovadora, solicitaram ao Ministério da Agricultura o reconhecimento da área livre”, conta. Após negociação com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), saiu a certificação internacional. “Este fato abriu as portas para experiências na exportação dos melões para os EUA e, posteriormente para outras culturas como a banana e a manga, que não possuem hospedeiros para a praga”, comenta Evádio.

Para o presidente da Agrícola Famosa, Luiz Roberto Barcelos, a expansão é um patrimônio de valor inestimável para a região. “Vai nos permitir ampliar nossos produtos para países que exigem que a fruta do melão seja de origem de uma área livre da mosca das frutas, como é o caso do recente mercado aberto da China, assim como da Argentina, do Chile e dos Estados Unidos, incluindo aí também os mercados que estamos em vias de abrir como é o caso do Vietnã e das Filipinas”, diz Barcelos, que também já presidiu a Associação Brasileira dos Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Ele também destaca que a expansão dessa área existente vai permitir aos produtores de frutas tropicais do Rio Grande do Norte exportar mais, gerarem mais empregos, distribuírem mais renda e reduzir a pobreza do semiárido nordestino, principalmente na região de Mossoró e da Chapada do Apodi.

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