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Polêmica
RedeTV! vive impasse com ‘caso Sikêra Jr’ e já cogita mudar Alerta Nacional: “Olho do furacão”
O Alerta Nacional é a uma coprodução entre RedeTV! e TV A Crítica, emissora independente de Manaus (AM) que era afiliada da Record no Amazonas até 2019
Notícias da TV
30/06/2021 | 14:19

A RedeTV! enfrenta um verdadeiro dilema com Sikêra Jr. O apresentador do Alerta Nacional perdeu o patrocínio de diversas marcas em seu programa e é alvo de uma campanha para que patrocinadores deixem a atração por conta de suas falas contra gays. Mas o policialesco é a maior audiência do horário na emissora em dez anos. A ideia inicial é deixar a “poeira baixar” e mudar um pouco o programa.

O Alerta Nacional é a uma coprodução entre RedeTV! e TV A Crítica, emissora independente de Manaus (AM) que era afiliada da Record no Amazonas até 2019. Ambas dividem custos e lucros. Sikêra tem contrato até 2027, um dos mais longos da televisão brasileira. A multa de rescisão é considerada alta para os padrões da emissora de Osasco.

Notícias da TV apurou que a RedeTV! discute o que fazer no momento. A ideia inicial é deixar o tempo passar. A alta direção acredita que a campanha #DesmonetizaSikera, encabeçada por movimentos LGBTQ+, não irá durar para sempre. A avaliação é de que Sikêra está no “olho do furacão”, mas que tomar atitudes precipitadas não seria o ideal.

O que a emissora já cogita é deixar o programa um pouco mais leve nesse período e pedir para Sikêra segurar um pouco a mão nas críticas. A RedeTV! se assustou com a ação do Ministério Público Federal, que pede multa de R$ 10 milhões e punição para a rede. O motivo é que a emissora é reincidente.

Em 2005, a RedeTV! saiu do ar durante 25 horas na Grande São Paulo por causa de pegadinhas preconceituosas de João Kleber e teve que exibir no horário o programa Direitos de Resposta. Nele, a comunidade LGBTQ+ respondia ofensas feitas pelas peças de humor.

Foi por causa deste temor que Sikêra Jr abriu o Alerta Nacional desta terça (29) pedindo desculpas para a comunidade por chamá-los de “raça desgraçada”. O objetivo é reduzir danos para evitar mais perdas.

A questão que mais pega na RedeTV! em relação a Sikêra Jr é a sua audiência. Na segunda (28), explorando o desfecho do serial killer Lázaro Bárbosa, o Alerta Nacional marcou 2,2 pontos, com picos de 4 na Grande São Paulo. Tradicionalmente, ele costuma marcar entre 1,5 e 2 pontos.

A RedeTV! só viu índices assim no horário quando exibia o anime Pokémon, no início dos anos 2010. Outro ponto é que Sikêra tem apoio forte dos donos da RedeTV!, principalmente Marcelo de Carvalho, vice-presidente da emissora.

No Jornalismo da RedeTV!, já existia um incômodo grande por causa de Sikêra Jr. mesmo antes desse escândalo. Para profissionais ouvidos pela reportagem, Sikêra ajuda a manchar a imagem do trabalho realizado pela TV em outros jornalísticos, como o RedeTV! News e o elogiado Leitura Dinâmica.

Procurada para comentar o assunto pela coluna, a RedeTV! não se pronunciou até a conclusão deste texto.

Perda de patrocínios

Após as falas infelizes proferidas pelo apresentador, quatro empresas cancelaram os contratos de patrocínio e anúncios na RedeTV! e da TV A Crítica.

A construtora MRV, que pertence a Rubens Menin, dono da CNN Brasil, fazia anúncios de seus empreendimentos com frequência no jornal policial comandado por Sikêra Jr. e, na segunda-feira (28), comunicou que não investirá mais no programa da RedeTV!.

A Tim, empresa de telefonia móvel, encerrou na semana passada o acordo comercial com a RedeTV! e a TV A Crítica, deixando de anunciar seus serviços no telejornal. A HapVida, empresa de plano de saúde que atua no Norte e Nordeste do país, também parou de investir em ações de merchandising no programa.

A Sorridentes foi outra que deixou Sikêra Jr. Por mês, ele tirava R$ 60 mil reais somente com o “salário” que recebia da empresa odontológica.

Ações judiciais

A Aliança Nacional LGBTQI+ afirmou que vai entrar em contato com todos os patrocinadores do programa Alerta Nacional, da RedeTV!, no intuito de assegurar que o telejornal não vire palco para “difamação e pânico moral”. “Esse senhor é recorrente em suas mentiras, ataques e agressividades. Entraremos na Justiça. LGBTfobia é crime, sim”, avisou Eliseu Neto, coordenador de advocacia da Aliança, em nota.

O ativista Antônio Isupério chegou a abrir representações no Ministério Público Federal e no do Estado do Amazonas contra Sikêra Jr. Ele acredita que os indícios são suficientes para que o jornalista seja preso. Já o MPF do Rio Grande do Sul entrou com ação civil pública e pede multa de R$ 10 milhões, além de retratação pelas falas por parte da RedeTV! e de Sikêra Jr.

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