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Entrevista
Propaganda sabe enfrentar e ajuda no combate da crise, defende Ricardo Rosado
Jornalista e publicitário Ricardo Rosado fala sobre o desenvolvimento da agência Faz Propaganda, que completa 33 anos este mês, e também aborda os desafios do mercado da publicidade para o período do pós-pandemia
Redação
08/07/2020 | 23:25

Àfrente da agência Faz Propaganda – que faz 33 anos no próximo dia 15 –, o jornalista e publicitário Ricardo Rosado fala ao Agora RN sobre os desafios do mercado de propaganda no Rio Grande do Norte. Segundo ele, as empresas do setor estão prontas para os desafios do pós-pendemia. “A propaganda está pronta para dar sua contribuição na volta do crescimento econômico”, disse. Ainda na entrevista, ele também aborda questões como as “fake news”.

AGORA RN – Jornalista e publicitário de muitos anos, o senhor é um blogueiro tão conhecido que teve até sua conta no WhatsApp recentemente clonada por marginais para pedir dinheiro. Como o senhor viveu esse momento?

RICARDO ROSADO – De forma constrangedora e com muita insegurança. Pra quem teve a lista de amigos e grupos furtada e utilizada para um golpe na internet. Para os amigos que, mesmo me conhecendo, acharam estranha a forma de procurá-los e ainda pedindo dinheiro emprestado. Para aqueles que, mesmo na lista, não tenho tanta intimidade para um pedido deste. Muitos devem ter pensado: “Ricardo não tem essa intimidade comigo pra me pedir dinheiro”. Olha que coisa mais chata! Cheguei a ser banido do WhatsApp. Mas passou, recuperei minhas listas, voltei a usar o WhatsApp, troquei senhas, agora duplas. A internet trouxe facilidades. Também para os bandidos. A vida segue.

AGORA – Hoje, o grande debate da atualidade, depois do coronavírus, são as fake news. Há uma corrente contrária à criminalização delas por entender que existe embutida nessa medida uma restrição à liberdade de expressão. Outros já acham que liberdade não pode ser confundida com crime. O que o senhor acha?

RR – Não acho correto o termo “fake news”. E não é resistência aos termos em outro idioma. Se é falsa, não é notícia. É fofoca, mexerico, intriga. Pode ser tudo, menos notícia. Ou pura e simplesmente é a opinião de alguém. Como ainda não inventaram, que eu saiba, um robô capaz de discutir política e o frenético dia a dia das sociedades, o que se quer impedir é a opinião de uma pessoa, de um grupo, de um conceito de sociedade. Portanto, vejo com muita preocupação esta investida do Congresso, de setores do Judiciário e da parte da própria mídia em querer criminalizar opiniões nas redes sociais, mesmo as mais estapafúrdias, equivocadas, irresponsáveis e caluniosas. Sem levar em conta que esta intromissão, essa superproteção que os mecanismos do Estado pretendem impor é uma demonstração, para eles, de que o leitor, o eleitor, o povo, o cidadão comum não sabe definir o que é falso ou verdadeiro, é incapaz de formular um conceito próprio a partir de tudo que ouve, ver e ler. De construir um raciocínio lógico a respeito de temas que dizem respeito ao seu cotidiano. Eles acham que a recepção é burra. Que o povo é gado. É uma demonstração de inaceitável tutela. A democracia e a Constituição asseguram a ampla liberdade de expressão. Se o afoito ou irresponsável ultrapassar os limites do civilizado, do razoável, do bom senso, tem leis que podem ser usadas. Calúnia, Difamação, Injúria estão tipificados. Não sou advogado, mas acho que basta ajustar o julgamento destes crimes em um tempo mais rápido. Vai reduzir muito a produção deste tipo de fofoca. Mas não acabará nunca. É da natureza humana.

AGORA – Como o senhor acha que as empresas e as entidades sairão dessa crise sanitária de proporções épicas que vivemos?

RR – Ninguém no mundo de hoje saberá responder esta pergunta com chance real de acerto. O mundo não estava preparado e ainda não entendeu direito o que é e o que virá. Está tentando entender. Gente, isso é de janeiro pra cá. É muito pouco tempo. Como esperar que neste pouquíssimo tempo sejam dadas respostas reais se o Brasil anda envolvido ferozmente num debate entre nazismo e comunismo? Há desdobramentos sendo pensados, formatos nos negócios, tipos de relacionamentos entre empresas e funcionários, nova legislação trabalhista, talvez mudanças na cultura da produção e da proteção ao trabalhador e à empresa. Na verdade, no caso do Brasil, estamos vivendo 4 crises ao mesmo tempo. A crise política, que se arrasta desde o impeachment de Dilma Roussef e as gravíssimas denúncias de corrupção apuradas e denunciadas. Crise agravada após a eleição presidencial de 2018, quando o novo normal instalado na praça é a intolerância. A crise sanitária, com o advento do Covid-19 a demonstração explícita de que o sistema de saúde (não somente no Brasil ou no Rio Grande do Norte), não tem condições de enfrentar algo tão assustador. Todas as iniciativas tomadas, umas eficientes e outras nem tanto, fazem parte de um experimento de erro e acerto. Torcer para que as práticas exitosas prevaleçam e a sociedade consiga sair desta pandemia. O trauma já existe e a história contará no futuro o drama de ter vivido em 2020. A crise de liberdade – a pior de todas. Todas as gerações foram obrigadas a ficar em casa, trancadas, impedidas de sair, circular livremente, ir comprar o pão ou tomar uma cerveja no botequim da esquina, cortar o cabelo, lavar o carro, comprar uma camiseta. Até janeiro deste ano isso era inimaginável até para maior ficcionista do universo. E isso em pleno regime democrático. É muito difícil este momento. O que houve foi um corte abrupto no sonho humano da liberdade. Sonho e prática. Solidão, ausência de liberdade, do direito e ir e vir, de decidir o que fará no seu dia. É o maior trauma, além da dor pelas milhares de mortes, evidentemente.

AGORA – Como publicitário, qual é a situação do mercado local durante e depois da pandemia?

RR – Peço permissão (sem propor ser a referência única no mercado) pra fazer um comparativo com a empresa que dirijo, juntamente com minhas filhas Luanda e Amanda. Neste dia 15 de julho a Faz Propaganda completará 33 anos de vida. Neste tempo trabalhou com 6 moedas diferentes, cortou 14 zeros na moeda, penou com uma inflação inimaginável de 82% ao mês, uma deflação de -2%, viveu a ebulição social de uma Assembleia Nacional Constituinte. Foram bem uns 20 ministros de economia, assistiu dois impeachments, espantou-se com mensalão, petrolão, Lava Jato. Agora vem de uma recessão desde 2011. A propaganda sabe enfrentar, conviver e ajudar a desatolar as crises. Neste tempo todo houve poucos lampejos de crescimento econômico. É claro que a situação hoje não é boa. Mas a propaganda está pronta para dar sua contribuição na volta do crescimento econômico. Não há parceira melhor para apoiar anunciantes e consumidores. É um setor da economia muito sensível. Sofre logo com a chegada da crise. E sente antes o início da retomada.
Seja na forma tradicional ou no uso das modernas mídias, no planejamento, na criatividade e nos resultados. A agência é muito importante neste momento. Portanto, assim como a Faz, a propaganda tem passado, tem presente e tem futuro. O mercado local das agências vai se superar e voltar a crescer. Ao lado dos seus clientes. Não é um sonho. É trabalho real.
Há esperança.

AGORA – Em poucas palavras, o que o senhor diria às pessoas neste momento tão delicado?

RR – Cuidem-se agora. Se preparem que o sol há de brilhar mais uma vez, como ensinou Nelson Cavaquinho. Caia na gandaia depois. O novo normal será novamente ser feliz e livre.

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